Olá, seja bem-vindo! Muito obrigado pela sua visita!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (47)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 21/11/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. Na edição passada descrevemos a viagem divertida e desastrada da piazada da Rua do Sapo à Barra Velha no começo da década de 70. Naquele tempo as coisas eram muito diferentes de hoje. Algumas eram mais fáceis, outras mais difíceis, como para viajar, por exemplo. Antes, quando não havia asfalto, nem para Joinville, nem para Corupá, uma viagem de ônibus até Joinville levava horas pela rodovia de terra e, quando chovia, era um caos. Muitos veículos encalhavam sendo necessário ser puxados por tratores ou parelhas de cavalos e isso levava uma boa fatia do dia. Dependendo da quantidade de chuva muitos trechos ficavam totalmente intransitáveis não sendo possível viajar nesses dias.

CAMINHÕES ENCALHADOS NA ANTIGA ESTRADA DONA FRANCISCA, ENTRE SÃO BENTO DO SUL E JOINVILLE. Imagine-se preso na lama no meio do mato e faça os cálculos!
UMA VIAGEM DE IDA E VOLTA DE CARROÇÃO ATÉ JOINVILLE DEMORAVA UM MÊS. Pessoa doente em estado grave, sendo levada à Joinville, morria na viagem. Hoje, tudo é bem mais fácil: rodovias asfaltadas, terceira faixa facilitando a movimentação dos veículos leves, BR 101 duplicada, postos de combustíveis à beira da estrada, etc. Para mostrar as dificuldades daquela época (1956), iniciamos na semana passada uma matéria sobre funcionários do Grêmio da Móveis Cimo de Curitiba que planejavam há muito tempo conhecer o Rio de Janeiro. Hoje estenderemos um pouco mais o texto referente à matéria.
CONSTRUÇÃO DA IMPERIAL ESTRADA DONA FRANCISCA. Imagine o esforço e sofrimento dos nossos antepassados para abrir uma estrada. A maioria dos trabalhos pesados era executada a muque. Os trabalhadores deviam ser fortes. Dormiam no mato, enfrentavam chuva, calor e frio, mosquitos e até feras perigosas além de serpentes peçonhentas, longe da família por longo tempo, às vezes sem comida suficiente, doenças e tantas outras dificuldades que as pessoas do mundo de hoje nem imaginam. Os avanços e as facilidades, dos quais hoje usufruímos, é dívida nossa àqueles heróis incansáveis e determinados. 
RIO NEGRINHO ERA ASSIM. Nesta foto, de Rio Negrinho nos primórdios, podemos identificar o antigo prédio da Intendência que mais tarde virou Prefeitura onde hoje é a Praça do Avião, e um amontoado de casas. Nota: as fotos 1, 2, 3 e 4 foram extraídas do livro História de Rio Negrinho, do Dr. José Kormann.
EXCURSÃO AO RIO DE JANEIRO. O início do texto diz: “O Grêmio Móveis Cimo de Curitiba levou no mês de Setembro seus associados ao Rio de Janeiro, concretizando assim, um velho e acalentado sonho, da Diretoria em exercício. A idéia desse magnífico passeio começou a despontar há muito tempo e foi se assoberbando aos olhos de todos, mesmo diante da indiferença dos mais céticos que julgavam um sonho grande demais para se tornar realidade. Mas, eis que em fins de Agosto um movimento diferente principiou a empolgar os “gremistas” e uma agitação nova sentiu-se no ar, como feliz expectativa de grandes projetos, em vias de transformarem-se em esplêndida realidade. De fato, os primeiros passos concretos estavam sendo dados, os primeiros entendimentos estavam sendo levados a efeito, em vista da época oportuna que se oferecia em princípios de Setembro. Depois de demoradas conversações com as diferentes empresas de transporte aéreo, ficou decidido optar pela Real-Aerovias e assim foi fixada a partida para o dia 3 de Setembro, às 15 horas. As vinte pessoas que compunham o grupo embarcaram no Aeroporto Afonso Pena, num sábado frio e nebuloso, que contrastava com o calor e entusiasmo que transparecia no semblante de cada um. A viagem transcorreu calma e às 18:30hs um rendilhado de luzes se descortinava aos atônitos olhos dos excursionistas e as emoções se sucediam a cada passo, enquanto Guanabara fugia rápida e a aterrissagem se procedia...”. Percebe-se, no texto, a ansiedade e a inquietação do grupo de viajantes durante o desenrolar do processo na tentativa de conseguir realizar o sonho maravilhoso, tal era a dificuldade para conseguir tal intento! 
TURMA DA SAPOLÂNDIA NA PRAIA DE BARRA VELHA EM 1971.  Neste local, ainda hoje há barcos de pescadores. Pois bem, voltemos à Barra Velha, em 1971 (veja a foto), quando nosso querido trapalhão Juvelino transformou uma de suas peripécias em tragédia que quase lhe foi fatal, por causa de um pequeno descuido.
JUVELINO SENDO SUGADO PELA FURIOSA ONDA. As ondas batiam com força na pedra. O mar recuava, e quando voltava a onda da frente, empurrada pelas que vinham atrás, produzia essa explosão de água que vemos na foto. Juvelino, depois de ter recebido dentaduras novas (as velhas ele perdeu nas ondas da praia), mudou de idéia e resolveu voltar mais uma vez para a praia. Estávamos apreciando a fúria das ondas nas pedras, Juvelino encheu-se de coragem e pediu que o fotografassem em cima da pedra (a da fotografia) quando uma onda explodisse. Assim ele apareceria na foto em frente ao turbilhão de água. Na verdade, se tudo desse certo, a fotografia ficaria espetacular! Nosso herói postou-se de pé em cima da rocha lisa esperando uma grande onda. Lá veio uma, bem grande, e quando ela explodiu a fotografia foi clicada, mas o inesperado aconteceu: Juvelino foi engolido por ela e desapareceu atrás da pedra. Em questão de segundo o repuxo do mar o levou sem que ninguém pudesse ajudá-lo, pois tudo aconteceu num piscar de olhos! A violência da água, no vai e vem, o jogava contra as pedras, prensando-o e produzindo muitos ferimentos graves. Agoniados, pensamos que tivesse morrido! Na fotografia original, Juvelino não aparece, pois já havia sido levado para o mar, mas fizemos uma montagem com a fotografia verdadeira para que se possa ver o que aconteceu. Todos os que sabiam nadar correram até o local do acidente, fizeram uma corrente, os de trás seguravam os pés dos da frente e, com muito cuidado e esforço, o resgataram todo cortado da cabeça aos pés, sangrando muito. Puxa! O cara foi tão sortudo que não quebrou nem um osso do corpo! Talvez, se não fosse imediatamente socorrido, não sairia vivo dali! Imediatamente foi levado ao hospital onde passou por uma série de cuidados e, teve que ser parcialmente anestesiado para limpar as feridas e para que os curativos fossem aplicados, levou uns trinta pontos pelo corpo. O coitado saiu do hospital mais enfaixado que múmia do Egito! Teve que ficar de molho mais de mês em casa e tomar um caminhão de remédios até sarar! Mais tarde, perguntamos-lhe como, no incidente, não perdeu as dentaduras no agito do mar e ele nos garantiu que desta vez apertou bem os lábios para que as dentaduras não lhes escapassem. Essa é demais! Até parece que estava mais preocupado com a prótese dentária do que com a própria vida! 

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Depois de muitos anos passados após o fatídico passeio, conversando com Juvelino, percebi que ele não guardou nenhum trauma do trágico acidente no qual quase perdeu a vida, e até acha graça de quando pensou que o mar era uma grande enchente, de quando montou guarda das suas lingüiças, de quando ficou entalado na cerca de ripas e de quando perdeu as dentaduras, o boné e os óculos nas ondas da praia, mas guardou as boas lembranças dos amigos e dos dias que passou com eles. Assim deveríamos ser, como Juvelino: viver de boas coisas e superar todo mal que nos aflige, sempre olhando para o futuro! 
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (44)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 31/10/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. Rio Negrinho, até chegar a ser o que é hoje, passou por várias fases boas e ruins. Mas, de fase em fase, progrediu, mudou, evoluiu e, nessa evolução, apareceram muitos benefícios que fazem o conforto dos seus habitantes. Por exemplo, as ruas antes eram de terra, barro, pó e desníveis no chão às vezes complicavam a vida das pessoas, como quando iam à missa, chegavam na igreja com os sapatos cheios de barro. Há relatos de pessoas que só calçavam os sapatos na porta da igreja de modo a mantê-los limpos durante as cerimônias; Hoje, quase todas as ruas tem asfalto. Antes ia-se para escola a pé, no frio e na chuva e algumas delas eram distantes da casa do aluno; Hoje há ônibus escolares, os pais tem automóvel e em cada bairro há pelo menos uma escola. Antes, o atendimento de saúde resumia-se a um único hospital e uma farmácia no centro da cidade; Hoje, há um grande hospital e postos de saúde em todos os bairros. Obviamente, o progresso acontece paralelo ao aumento da população, mas a evolução nem sempre trás benefícios, como por exemplo, o trânsito, principalmente nas ruas centrais, que está se tornando complicado para os usuários de veículos e para os transeuntes. A cidade de Rio Negrinho atual está irreconhecível para quem a viu há 50 anos, salvo em alguns pontos aqui e ali. Vejamos algumas fotos de antes e de hoje e façamos a idéia de como era a vida naqueles tempos. Aqui, a primeira foto mostrando a extinta Sociedade de Cantores.  

SOCIEDADE DE CANTORES. Esta casa, sita à rua Luiz Scholz, era o ponto de encontro da elite rionegrinhense. Aqui aconteciam bailes, apresentações teatrais e muitos outros eventos culturais e sociais. Enquanto que no Salão Lampe rolava os bailões, onde a massa popular se divertia, na Sociedade dos Cantores os bailes eram endereçados à alta sociedade da cidade. É claro que as pessoas mais simples podiam freqüentar o local, mas, em certas ocasiões, não o faziam porque não se sentiam à vontade no meio dos “ricos”. E foi nesse local que aconteceu o primeiro causo de hoje.

História nº 1. MAS QUE BARBARIDADE, TCHÊ! Lá pelos anos 50 e 60, não se passava um sábado sem um bom baile. Era sábado. O baile estava animado. Os cavalheiros educadamente convidavam as damas para a dança. A banda, escolhida a dedo, animava a festa com boas músicas. Tudo muito chique, as pessoas com trajes a rigor, falavam dos seus negócios, das suas empresas e das suas conquistas enquanto saboreavam um bom vinho em finas taças de cristal. Lá na rua passava um cavaleiro de Volta Grande, negociador de gado bovino, bailomaníaco de carteirinha assinada e vendo que lá dentro rolava um baile, pensou: “É hoje que eu forro a guaiaca!”. Não titubeou, amarrou seu cavalo no poste da rua e, sem saber do sistema social da cidade e que aquele era baile de sociedade, adentrou no recinto, inseriu-se no meio do pessoal, arranjou um lugar para sentar, pediu uma pinga e ficou observando tudo o que se passava. Ele, portando bombacha, camisa com lenço no pescoço, chapéu grande, bota de boiadeiro e facão na cinta, não estava vestido a caráter como todo mundo ali de terno e gravata. Era evidente o contraste entre o cavaleiro e os cavalheiros! Mas parece que não deu bola para este detalhe e tomava sua cachacinha com a maior tranqüilidade. Em certa altura do campeonato, viu lá num canto uma moça bonita, toda empererecada e sorridente, pensando que ela sorria para ele, pensou: “-Putcha lá vida, hoje eu vou lavá a égua!”. Encheu-se de coragem e resolveu tirá-la para dançar. Convidou-a: “Vamo se atracá nessa dança, dona?”. Ela, meio sem jeito, assustada e surpresa, aceitou o convite, pois achou que seria perigoso “dar balaio” para um sujeito bem tosco e estranho como aquele.

RUA LUIZ SCHOLZ NA DÉCADA DE 60. Os números na fotografia facilitam ao leitor a localização do Salão da Sociedade dos Cantores. Nº1- local do Salão; nº2- esquina da rua Luiz Scholz com a Travessa Domingos Ferreira de Lima; nº3 - canto do muro do Colégio São José. Detalhes: rua de terra, mão dupla, dois semáforos instalados, um em cada lado da esquina, poucos trechos dos passeios calçados, automóveis estacionados em qualquer lado da via sem problema nenhum, pois pouca gente possuía veículo automotor, por isso vemos poucas garagens, muros com “bicos” de 90° (ângulos retos) nas confluências das ruas, exceto um deles nesta rua. Hoje, os mesmos devem ser arredondados; fios de eletricidade instalados diretamente dos postes às casas, algumas cercas de madeira. Mesmo no centro da cidade ainda se faziam hortas nos quintais das casas.
A MESMA ESQUINA DA RUA LUIZ SCHOLZ COM A TRAVESSA DOMINGOS FERREIRA DE LIMA - 2014. Tudo mudado! O salão da Sociedade dos Cantores ficava lá onde está estacionado o ônibus. O salão foi destruído pelo fogo e no lugar edificou-se outra construção, onde funcionava o Banco do Brasil, que também foi consumida por incêndio e hoje o terreno está baldio. Veja a foto seguinte.
TERRENO BALDIO ONDE ESTAVA A SOCIEDADE DOS CANTORES. Este, onde está o ônibus, e o terreno ao lado, onde havia um hotel, estão baldios no centro da cidade.
CENTRO DA CIDADE NA DÉCADA DE 50. Esta foto obtida do livro História de Rio Negrinho, do Dr. José Kormann, página 122, nos mostra bem a realidade de Rio Negrinho contrastando com a de hoje. Tudo diferente!  
O MESMO LUGAR NO CENTRO DA CIDADE – 2014. Que mudança em quase setenta anos! Hoje, se uma carroça circulasse pelo centro da cidade seria motivo de matéria de jornal e, além do espanto das pessoas, causaria um engarrafamento sem precedentes. Já pensou se os cavalos, assustados pelos buzinaços dos automóveis, disparassem no meio do trânsito, ultrapassando carros e caminhões. Imagine a situação do carroceiro, desesperado e sem controle sobre os animais...! –“Ôôôôaa, ôôaa, desgraçados! Se eu sair vivo dessa, prometo dar um saco de milho prá cada um de vocês!”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Há muitas histórias para serem contadas enquanto comparamos o passado com o presente. As fotos facilitam a imaginação. Mas, você consegue imaginar Rio Negrinho daqui a cinqüenta anos?
Por hoje é só! Obrigado! Um forte abraço de Celso e outro de Mariana. Fique com Mamãe e Papai do céu!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (42)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 17/10/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. Nossa proposta para produzir estas páginas semanalmente, é resgatar a memória histórica do nosso querido município e a trajetória dos feitos históricos de nossos antepassados, filhos adotados por esta terra generosa e maravilhosa.
Somos muito gratos às pessoas solidárias à nossa causa que colaboram nos fornecendo dados, depoimentos valiosos e fotografias para que possamos retratar a nossa querida Rio Negrinho da melhor maneira possível e para que nossos leitores deliciem-se com os nossos textos.
Estamos fazendo o possível para aproximar ao máximo da verdade as datas, os locais, os fatos e os personagens. O tempo passou e com ele, aos poucos, a nossa história vai sendo esquecida e enterrada no meio das transformações. É preciso fazer emergir o passado à lembrança para que dele possamos tirar as melhores lições e, baseados nelas, construamos um futuro promissor e feliz! 

GRUPO DE JOVENS DA MATRIZ SANTO ANTONIO – 1969. Este grupo foi dividido em dois, um masculino liderado por mim, e outro feminino liderado por Mariana.

História nº1. LEITURA BÍBLICA. (Texto de Celso) Corria o ano de 1970. Eu comandava alguns grupos de jovens pertencentes ao “Movimento Jovem” com sede no Salão Paroquial, fundado em nossa cidade pelo Padre Zezinho do Sagrado Coração de Jesus, em 1969.
De tempos em tempos, éramos fiscalizados pelo Padre Aloísio Hellmann (SCJ), nosso superior na região. Fomos comunicados que no sábado seguinte Pe. Aloísio faria uma vistoria espiritual em nosso grupo a fim de verificar o andamento das reuniões bíblicas.
O pessoal do grupo masculino preparou-se da melhor maneira possível e ansiávamos pelo tal encontro. Tentaríamos dar a melhor impressão! Dentro da organização para o evento ler-se-ia alguns trechos da Bíblia para posterior reflexão em conjunto.
Um rapaz, chamado Ilário, alcunha Boiadeiro, ficou encarregado desta tarefa. Preparamos os textos para que ele treinasse e fizesse a leitura com desenvoltura. Tudo pronto, o padre chegou, alguns comentários de boas-vindas ao sacerdote, fizemos a oração inicial e chegou a hora da esperada leitura.
Boiadeiro levantou-se com a Bíblia nas mãos e em pose soberba e solene começou a leitura de um trecho que dizia assim: “ ... e Moisés passou com uma tocha acesa e um braseiro fumegante...!”. Boiadeiro, meio atrapalhado e um pouco nervoso, leu assim: “...e Moisés passou com uma “trocha” acesa e um brasileiro fumegante...!”.
Depois de algumas risadas meio envergonhadas, o rapaz continuou lendo mais um trecho que dizia: “...e Jesus entrou no meio dos pecadores e comeu com eles...!” (para mostrar humildade). Boiadeiro, já mais nervoso ainda, meio gaguejando, mandou ver: “...e Jesus entrou no meio dos pecadores e comeu eles...!”. Penso que a nota “Dez” que almejávamos no conceito do padre a nosso respeito virou fácil, fácil num “Dez abaixo de Zero”!
PADRE ALOISIO HELLMANN (SCJ), COORDENADOR GERAL DO MOVIMENTO JOVEM EM RIO NEGRINHO-1970. Este padre lidava muito bem com os jovens daquele tempo cativando-os com bondade, por isso, o número de adeptos ao movimento fundado pelo Padre Zezinho aumentava semanalmente.
ENSAIO DE UM DOS GRUPOS DE REFLEXÃO VISANDO APRESENTAÇÃO TEATRAL NO SALÃO PAROQUIAL- 1970. Se Padre Aloisio tivesse visto esta reunião sem saber da sua finalidade, provavelmente o grupo inteiro seria expulso do país.
RUA JORGE ZÍPPERER (1970), VISTO DO ALTO DA IGREJA. Veja como era o centro da cidade de Rio Negrinho em 1970. O trânsito de veículos era tão calmo que os automóveis podiam estacionar nos dois lados da rua. Note que apesar de a rua ter mão dupla (vai e vem) os carros estacionam na contramão, tipo mão inglesa. Os carros que mais circulavam naquela época eram Fusca, Kombi, DKW, Aerowillys, Rural e, entre outros, até Gordini. No lado esquerdo da rua, de baixo para cima, depois da ponte, identificamos algumas casas de comércio: Padaria Thieme, Açougue Beckert, Farmácia do Povo, Comercial Miner, Bar Ponto Chic. Poucas pessoas andavam nas ruas. A polícia civil era constituída de dois ou três homens que tinham pouco trabalho com o trânsito e com crimes. O povo era pacato. A maioria das pessoas trabalhava na Móveis Cimo das 7:00 hs até as 17:15, havia poucas lojas que alavancavam o comércio, acidentes de trânsito eram raros, a principal economia do município girava em torno da madeira – serrarias e fábricas de móveis-, o lazer era bom – cinema, teatro, futebol municipal em alta, de vez em quando, parques de diversões e circos. Um deles, o Circo Teatro Irmãos Silva, com o palhaço Tampinha, ficou em Rio Negrinho durante três meses e, quase sempre, com a casa cheia. 
CENTRO DA CIDADE EM 1970, VISTO DO MORRO ONDE HOJE ESTÁ O HOTEL JOÃO DE BARRO. Por esta fotografia pode-se comparar a evolução de Rio Negrinho desde o ano de 1970 até os dias de hoje. Naquele tempo o centro resumia-se neste amontoado de construções que você está vendo.
CENTRO DE RIO NEGRINHO EM 1972.

História Nº 2. UM “OVO” RUIDOSO. (Texto de Mariana). Aquele palanque que aparece no canto esquerdo superior da fotografia e ocupado por figurões da cidade foi palco de um fato curioso e hilariante. Era ano de eleições e neste mesmo lugar foi montado um palanque para comício eleitoreiro. O pessoal, que estava quase dormindo em pé por conta daqueles blá, blá, blás estafantes dos políticos, de repente foi despertado por algo completamente inesperado. Não se sabe bem ao certo se o microfone falhou ou se não havia aparelhagem sonora instalada no palanque. Um dos candidatos falava em tom ameno com voz um pouco fraca e, lá perto da ponte, um senhor muito conhecido na cidade inconformado gritou: -“Ei, cara, fale mais arto, que eu não OVO naada!” A seguir ouviu-se um estrondo de gargalhadas que mais parecia um trovão. Nem os filmes do Mazzaropi conseguiram arrancar tantas risadas em uma só pancada! Foi a primeira vez na história de Rio Negrinho que tanta gente promoveu tamanho festival de risos. O candidato que discursava tentou ficar sério, mas não conseguiu, até rolou lágrimas dos seus olhos de tanto rir, e a sequência do seu pronunciamento era constantemente interrompida por novos rojões de alegria saídos da boca das pessoas aqui e ali e do próprio político que ora falava grosso e ora fino com voz espremida tentando conter o riso. O tal sujeito, responsável pelo “gargalhaço”, também riu muito achando graça de si mesmo. Depois ele comentou: “Pois, óia, foi de doê o estombo que até me cuspi tudo!”.Todo mundo saiu satisfeitíssimo com o comício! Só não sabemos se aquele político que discursava levou vantagem com tamanha “manifestação popular!”

DIA DE FESTA EM FRENTE À IGREJA MATRIZ NA DÉCADA DE 60. Naquele tempo era costume promover eventos neste lugar porque o espaço entre a igreja Matriz e o Salão Lampe era amplo para reunião de muitas pessoas. Foi aí que aconteceu a história que vamos contar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Finalizamos agradecendo sua leitura. As histórias inserem fatos e detalhes da vida antiga em nossa cidade em várias épocas, mostrando lugares, hábitos, costumes e vestimentas das pessoas e um paralelo entre as diferenças de duas épocas: de antes e de hoje.
Por hoje é só! Um abraço de Celso e outro de Mariana. Fique com Mamãe e Papai do Céu! 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (40)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 03/10/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

RIO NEGRINHO DE TODOS OS TEMPOS!

Imigrantes alemães, poloneses, italianos, portugueses, austríacos e os índios da região construíram sua nova pátria neste pedacinho de chão brasileiro e fizeram uma pequena vila de Santa Catarina, no final do século XIX. Da Chegada destes imigrantes até os dias de hoje, a história de Rio Negrinho foi e é contada em livros, jornais, rádios e pela boca das pessoas que testemunharam a transformação, desde as primeiras picadas abertas com picaretas e enxadas até a avançada e confortável cidade na qual hoje habitamos. A geração atual pode orgulhar-se de sua Terra-Natal onde seus ancestrais plantaram com sangue, suor e lágrimas as primeiras sementes nesta terra que lhes serviu de berço. Foi com muita fé e esperança, trabalho e determinação, coragem e persistência que estas etnias lançaram na terra generosa a semente do progresso do qual hoje desfrutamos. Continuaremos, hoje, contando causos e fatos. Alguns deles marcaram profundamente a comunidade deixando cicatrizes por longo tempo, como o tornado de 22 de maio de 1932 que, literalmente, sacudiu a região e causou a morte de uma das mais queridas pessoas do lugar.
LOCAL DA RUA DO SAPO (FOTOGRAFADO EM 1975) ATINGIDO POR UM TORNADO EM 1932.
Aproveitamos esta foto do ano de 1975 para mostrar o local onde aconteceu a história que vamos contar. Neste lugar, numa época bem anterior, em 22 de maio do ano de 1932, quando a rua Jorge Lacerda (Rua do Sapo) era apenas um descampado, um pasto onde costumava-se fazer festas porque era apropriado e espaçoso para tal finalidade, aconteceu o que ninguém esperava: um violento e devastador tornado varreu tudo o que encontrou pela frente. Num domingo ensolarado e de forte calor, ali acontecia um grande festa onde seria fundada a Sociedade dos Atiradores de Rio Negrinho. Naquele tempo, onde havia colônia de imigrantes alemães e seus descendentes, tinha que ter pelo menos três tipos de sociedades: uma de atiradores, uma cultural - teatros, danças e bandas musicais - e clubes de bolão. Era o tipo de lazer que os imigrantes trouxeram da Europa. A festa de gala seguia animadíssima com churrascada, bebidas, diversas atrações e, claro, não podia faltar a famosíssima Banda Treml que veio de São Bento especialmente para abrilhantar o evento! Nota: São Bento do Sul só passou a ter esse nome bem mais tarde, depois de chamar-se Serra Alta (1935-1948).
Portanto, em 1932 era só São Bento e de lá veio um trem especial lotado de gente para a comemoração. Naquela tarde ninguém poderia imaginar a tragédia que iria acontecer com a chegada de um grande e veloz tufão vindo pela via férrea, direção Mafra-Rio Negrinho. O tornado tomou força e dividiu-se em dois na baixada da rua José Zípperer Neto. Um foi para a Rua do Sapo atingindo em cheio o local da festa; o outro seguiu na direção da igreja católica e depois foi para o lado da estação ferroviária, subiu o morro e rumou para a Escola Marta Tavares. Então chamaremos a um deles tornado “Rua do Sapo” e ao outro tornado “Marta Tavares”, assim simplificaremos as explicações. 
O tornado “Rua do Sapo” foi se avolumando e pondo no chão tudo o que encontrava pela frente. Não houve tempo para ninguém fugir quando o vento atingiu o local da festa, então podemos imaginar as barracas sendo destruídas, os gritos desesperados, chapéus voando, pessoas caindo ou sendo arrastadas, todo mundo correndo tresloucadamente, alguns agarrados nas árvores e, afinal, tudo girando num turbilhão violentíssimo. 
No meio disso tudo, uma senhora chamada Ana Bolmann Ilg, que era de São Bento, mas que veio morar em Rio Negrinho, pois casou com Martim Ilg, aqui estabelecido, muito conhecida e querida na região porque era parteira e conhecedora de remédios e entendida bem de farmácia, conhecimentos estes adquiridos com seu pai, farmacêutico em São Bento, saiu correndo da festa, no meio da ventania, para fechar as portas e as janelas da sua casa na rua São Bernardo no alto do morro. 
Mas não chegou viva em casa. Um galho de pinheiro arrancado pelo vento caiu-lhe na cabeça matando-a instantaneamente. Este fato comoveu a população e ficou mais evidenciado que o próprio tornado. A morte da parteira Ana foi muito lamuriada e comentada, e por longos anos ficou na lembrança do povo (naquele tempo as parteiras eram pessoas muito importantes na sociedade). O tufão, depois de fazer incontáveis estragos, foi para os morros e aos poucos perdeu a força extinguindo-se. 
Conta-se que um mês após o desastre ainda se achavam chapéus, lenços, dinheiro, vários objetos, sombrinhas e guarda-chuvas no meio do mato que foram carregados pelo vento. Alguns gozadores disseram que durante o furacão viram até a Banda Treml. O outro, o tornado “Marta Tavares”, entortou a torre da igreja católica - no centro - que era de madeira, atingiu a escola Rio Negrinho, ao lado da igreja, destruindo-a como se fosse uma casa de papel, reduzindo-a a um amontoado de madeira.  
Depois disso, o tornado girou, voltou por onde viera e tomou rumo da estação ferroviária, subiu até a Escola Marta Tavares e, lá no alto do morro, no local onde atualmente está a cruz do Cruzeiro, arrancou a torre da igreja Luterana, que também era de madeira, elevou-a pelos ares e depositou-a inteira no meio do mato, lá em baixo, onde hoje é o campo da Sociedade Esportiva Ipiranga. Tudo o que estamos descrevendo é verídico e nos foi reportado pelo Doutor José Kormann, pesquisador de fatos da História de Rio Negrinho, inclusive, algumas fotos que vemos nesta página foi ele quem as doou para o Museu Carlos Lampe. Aquele tornado angustiou e aterrorizou a população rionegrinhense. Muita gente teve enormes prejuízos. É bom saber que a natureza trabalha em ciclos, portanto, é possível e bem provável que novos furacões apareçam novamente em nossa região.  
Aliás, durante a enchente de 1992, um violentíssimo furacão devastou florestas e propriedades rurais, quando passou na região de Rio Casa de Pedra e Queimados Colônia Olsen, seguiu serra abaixo e só desfez-se no litoral catarinense em Barra Velha. Talvez, aquele tenha sido o maior tornado já registrado em nossas terras. 
Há poucos anos, outro forte vendaval passou pela cidade de Rio Negrinho. Veio do bairro Jardim Hantschel, passou pela Bela Vista e zanzou na região onde estava a granja do Rocha, na parte de baixo do morro do Briskão. Ali derrubou a construção da granja sobre alguns índios que lá se abrigavam. Causou muitos estragos, destelhou casas e arrancou árvores. É bom estarmos preparados, pois de tempos em tempos a fúria da natureza reaparece! 
Nota do Blog: Ana Bollmann Ilg, era nascida na Alemanha, filha de Guilherme e Maria Bollmann, faleceu em 22/05/1932, com 49 anos, vítima de traumatismo craniano, era casada com Martin Ilg, residente a rua São Bernardo, deixando 6 filhos, e foi sepultada no Cemitério Municipal de Rio Negrinho.

PRIMEIRA IGREJA CATÓLICA (INAUGURADA EM NOVEMBRO DE 1926) NO MESMO LUGAR ONDE SE ENCONTRA, HOJE, A IGREJA MATRIZ SANTO ANTONIO. O tornado entortou a torre da igreja. A futura igreja católica foi construída ao redor desta que só foi desmanchada quando a nova ficou pronta.
A PRIMEIRA IGREJA CATÓLICA EM FASE DE CONSTRUÇÃO. A rara fotografia nos permite observar que a ponte da matriz naqueles primórdios era de madeira e bem estreita.
GRUPO ESCOLAR RIO NEGRINHO QUE O TORNADO DESTRUIU. O centro cultural e religioso de Rio Negrinho começou aqui.
POR OUTRO ÂNGULO, A DESOLADORA IMAGEM DA DESTRUIÇÃO DA ESCOLA.
PRIMEIRA IGREJA LUTERANA DE RIO NEGRINHO, NO ALTO DO MORRO DA ESCOLA MARTA TAVARES, NO PERÍODO DE CONSTRUÇÃO.
IGREJA LUTERANA ATINGIDA PELO TUFÃO QUE ARRANCOU-LHE A TORRE INTEIRA.    O corpo da igreja teve sua estrutura abalada, mas não caiu, apenas o telhado ficou bem danificado, alguns vidros das janelas quebrados. Vê-se claramente a marca da torre que foi arrancada pelo vendaval na parede frontal da igreja.
CONSIDERAÇÕES FINAIS. Caro leitor, volva seus olhos para os idos 1880 e sinta no seu coração que foi necessário quase um século e meio para que de tão preciosa miscigenação resultasse os frutos hoje colhidos. A luta gloriosa dos nossos antepassados traduz-se atualmente no sorriso de tantos seres humanos que vão realizando seus sonhos porque tem sob seus pés um mundo por onde podem caminhar com segurança e que foi anteriormente construído com muito amor e esforço.
Por hoje é só! Obrigado! Um forte abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (39)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 26/09/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

CAUSOS E BARBARIDADES!

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. Há muitas formas de contar a história de um povo. Uma das mais importantes e esquecidas é justamente através dos causos. E, olha que Rio Negrinho tem muitas histórias para contar! Uma coleção de causos não é um livro de histórias em linhas, presas em um único fio de tempo e, geralmente, mostrando apenas uma versão dos fatos como se fosse um monólogo. São fragmentos colhidos aqui e ali sem preocupação com a linearidade, o tempo e o espaço. Dispor-se a fazer uma coleção de causos é construir uma colcha de retalhos onde as histórias são vistas no mesmo espaço e no mesmo tempo. Neste jornal, já temos contado muitos causos acontecidos em Rio Negrinho, como a Batalha da Rua do Sapo, Fúria no Buraco Quente, Égua fujona, A Bicicleta Esquecida e tantos outros. Hoje, aproveitando o assunto “bandas e conjuntos musicais”, contaremos alguns causos relacionados ao primeiro conjunto de guitarra fundado em nosso município: Os Temíveis.

OS TEMÍVEIS. Era 1967. O primeiro conjunto musical de guitarras de Rio Negrinho foi inicialmente constituído pelos quatro rapazes que aparecem na foto e eram considerados “os cabeludos”, mas que nada tinham de cabeludos, nem mesmo os cabelos: Marinho, Celso, Vergílio (in memórian) e Juarez.
OS TEMÍVEIS. Com o passar do tempo fez-se necessário a inclusão de um cantor e para tal foi escolhido Célio Dums (in memórian), na foto, o último da direita. Também, completou o conjunto um bom baterista que não aparece na foto. Os Temíveis atuaram nos meios musicais por longo tempo, abrilhantando eventos, bailes e festas. Este conjunto tem muitas histórias para contar. Vejamos algumas delas ilustradas pelos desenhos de Celso Carvalho. 
História nº2. FOGO NA RÁDIO. Numa apresentação dos Temíveis na Rádio Rio Negrinho, a aparelhagem do conjunto foi plugada numa só entrada eletrônica da mesa sonoplasta, criando sobrecarga elétrica à mesma. Naquele tempo a mesa de som da Rádio funcionava com válvulas, aquele tubos de vidro que mais tarde foram substituídos pelos transistores, depois pelos circuitos integrados e, hoje, pelos chips eletrônicos. Na metade do programa o sonoplasta, no meio de uma fumaceira que mais parecia o caldeirão do inferno, acenava desesperadamente tentando avisar que a mesa sonora entrara em pane porque não suportara a sobrecarga dos aparelhos dos Temíveis. Foi um curto-circuito sem tamanho que tirou a Rádio do ar por uma semana inteira até que tudo fosse consertado. O desenho ilustra o momento do incidente quando os Temíveis se apresentavam na sala de locução, separada da sala de operação de som por uma janela de vidro.
FUGA ESTRATÉGICA. No momento do incidente os Temíveis recolheram seus aparelhos e sumiram do mapa até que a poeira baixasse. Ninguém os viu em lugar nenhum por mais de uma semana. Mais tarde, já com o trem na linha de novo, voltaram a tocar suas músicas nos programas radiofônicos. Só mesmo os Temíveis para tirar uma rádio do ar por uma semana!  
História nº3. SAPATEADO SELVAGEM. Vergílio acabara de chegar em casa com seu violão em baixo do braço quando seu pai arrebatou-lhe o instrumento e dizendo estar cheio dessa história de cabeludos dançou um rock em cima do violão que virou cacos em instantes. Nem as dançarinas do Faustão dançam tão bem como um velhote enfurecido! A única peça que sobrou inteira foi o braço e com ele o conjunto fez uma guitarra de madeira. E não vai que deu certo? Viu como dá para transformar cacos e jóia? Hoje, guitarra está exposta num museu em Joinville.
História nº4. AÍ, BARBUDOOO! (TROMBADA DE BICICLETAS). Era o ano de 1970, numa quinta-feira à noite na rua José Zipperer Neto. Naquela rua, bem na baixada, ainda hoje há um buraco no lado da via férrea (veja foto) e outro buraco no outro lado da rua. Por baixo da rua há tubos por onde passam as águas vindas da Rua Jorge Lacerda (Rua do Sapo) e que escoam no rio Negrinho. A foto foi clicada durante o dia para que o leitor reconheça com facilidade o lugar exato da história que lhes será contada! Era noite escura, sem lua. De um lado, sentido Ceramarte-Centro, descia um ciclista em alta velocidade, sem farol na bicicleta (ciclista A). Do outro lado, sentido Centro-Ceramarte, também descia outro ciclista em alta velocidade, mas com o farol da bicicleta aceso (ciclista B). Acontece que o ciclista A, pilotava no escuro e na contra-mão e parece que não percebeu a bicicleta do ciclista B, com farol aceso, vindo na sua direção e este, ciclista B, também não! Aí não deu outra. Não houve tempo prá mais nada! Pimba! Crásss! Catapimba! Bem de frente! Lá se foi o ciclista B, o do farol, prá valeta com bicicleta e tudo! O ciclista A, que caiu no meio da rua, mais que depressa embarcou no seu veículo, acionou o motorzinho tocado a feijão e procurou arredar a carcaça do local do crime. O outro, também rapidamente, levantou-se com a cara cheia de barro, aliás, com o corpo inteiro cheio de barro, arrastou prá cima o que restou da sua magrela e, ainda meio tonto, sem saber exatamente o que tinha acontecido, percebeu seu oponente se afastando, arranjou forças para gritar um desaforo para seu colega de trombada, só, que nervoso e confuso, em vez de gritar “Aí, Barbeirooo!”, “gritou: Aí, Barbudoooo!” Sabe que até tem lógica, porque barbudo e barbeiro sempre se encontram, não acha? O fato mais fantástico e que só foi percebido mais tarde, em casa, foi que na confusão as bicicletas foram trocadas – A levou a bicicleta B e B levou a bicicleta A. E pior: nenhum dos dois fez questão de destrocá-las, talvez por medo ou porque um não sabia quem era o outro! Nota: O desenho ilustrativo na foto obviamente está um pouco exagerado, com o intuito de fazer graça, pois a bicicleta não ficou assim tão destruída! 

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Histórias reavivam lembranças que, por sua vez, modificam comportamentos. Cada causo reporta a épocas distantes e pode dar novos significados e, também, influenciar significativamente a vida de quem recorda. Os causos transportam pessoas aos tempos que não voltam mais e que agora são pura saudade. Fazem pensar como as comunidades se formaram e refletir como tudo tem se transformado ou para melhor ou para pior, por exemplo, as estradas de terra cederam espaço para estradas asfaltadas, cercas de ripas de madeira foram substituídas por elegantes muros de ferro, alumínio ou alvenaria, etc. 
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (38)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 19/09/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.


CREPÚSCULO!

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. No crepúsculo de Rio Negrinho, a certeza de que, os primeiros 134 anos são apenas o começo. Num esforço conjunto, a cada nova manhã se renovam as forças geradoras do progresso que fizeram de Rio Negrinho, por longo tempo, a “Capital dos Móveis” de toda a América Latina, um título, que apesar de lhe ter sido arrancado, por certo orgulhará seu povo ainda por muitos anos.
O mesmo crepúsculo, também dá a certeza de que, mesmo sob tantos bombardeios das intempéries que se abateram sobre a cidade, Rio Negrinho continuará crescendo e fazendo, a cada dia, seu povo mais feliz. E olha que, bem analisado, esta doce fatia da Serra do Mar é um pequeno paraíso para se viver bem!
Continuemos hoje, falando da música em nossa região que já veio com os primeiros habitantes, arrojados estrangeiros que aqui depositaram toda a confiança na conquista da felicidade e que, um após outro, transformaram a grande floresta em uma cidade linda, cheia de vida e, esta mesma música, ainda se perpetua em nossos tempos valorizando cada tijolo aqui cimentado e cada toco de árvore arrancado do chão para dar lugar a um pilar que, com outros, sustentaria as moradas destes heróis.

CREPÚSCULO. O crepúsculo dá a certeza de que, mesmo sob tantos bombardeios das intempéries que se abateram sobre a cidade, Rio Negrinho continuará crescendo e fazendo, a cada dia, seu povo mais feliz.
BANDINHA ANTON (BANDA SÃO PEDRO) – 1930. Esta banda de 1928 a 1938 era chamada de Banda São Pedro. Além do árduo trabalho na roça, que era a atividade do sustento das famílias, os colonos arranjavam tempo para formar uma banda, dinheiro para comprar os instrumentos musicais, tempo para ensaiar e tempo para abrilhantarem festas e eventos. Geralmente, as bandas tinham longo tempo de vida. Um dos fatores determinantes para tal longevidade era a necessidade de lazer, pois não havia TV, cinema, teatro e eram raros os momentos de descontração. Quando muito, a diversão do povo eram as festas promovidas pelas igrejas, e que festas bonitas! Nesta foto, a banda estava em frente ao Salão Lampe na comemoração da vitória da Revolução Getulista, em 1930. Da esquerda para a direita: 1-Willy Pscheidt, 2-José Anton, 3-Alvino Anton, 4-Otto Maros, 5-Max Anton, 6-Francisco Anton, 7-Antonio Pscheidt, 8-Osvaldo Anton e 9-José Liebl. Podemos observar que todos tocavam instrumentos de sopro, todos tinham chapéu, alguns usavam calça meia-canela, mas todos vestidos decentemente, os mais velhos usavam bigodes e veja a moda da gola do paletó, bem larga. Hoje o Banco Bradesco possui entrada para funcionários no mesmo lugar do Salão Lampe, à direita, visto de frente. (Nota do Blog: Segundo depoimento de Alvino Anton, carroceiro, músico e político, prestado ao autor do Blog Rio Negrinho no Passado em setembro de 1995, a Banda Anton teve como fato marcante a comemoração da vitória getulista em 1930, na festa liderada em Rio Negrinho por Eduardo Virmond, líder político da época. Nesta comemoração estava presente e retornando o então voluntário naquela revolução - José Hantschel. Note-se que os músicos ostentavam lenços vermelhos ao redor do pescoço, emblema maragato, que Getúlio Vargas adotou, como símbolo dos revolucionários).
SOCIEDADE DE CANTORES DE RIO NEGRINHO – DATA INCERTA. Aqui, nesta casa, havia um salão de baile, um palco para os músicos e para apresentações de teatro, dança e outras manifestações artísticas. Reunia-se nela a elite de Rio Negrinho em bailes e apresentações comemorativas. Situava-se à rua Luiz Scholz, era um prédio de madeira que foi consumido pelo fogo. No lugar construiu-se outro prédio onde funcionava o Banco do Brasil e que novamente foi consumido por incêndio (Nota do Blog: Esta foto deve-se se situar ao final da década de 1930).
QUARTETO DO DIA. Fundado em 1956, na apresentação radiofônica da ZYR7 Rádio Rio Negrinho, tinha o objetivo de divulgar a música de harmônica (gaita de boca) com violão, instrumentos estes que executavam com maestria fazendo com que cada página musical se transformasse numa jóia sonora que encantava os ouvidos e a alma do ouvinte. Naquele tempo, a Rádio Rio Negrinho era absoluta em nossa cidade e através dela os artistas locais divulgavam suas obras musicais. Todos escutavam rádio, pois não havia televisão e na parte de baixo do prédio da Rádio havia um auditório para as pessoas apreciarem os artistas que se apresentavam ao vivo. Na foto aparecem da direita para a esquerda: 1-Ernesto Luko Junior (locutor da Rádio), 2-Norberto Murara (harmônica), 3-Gerold Lichtblau (harmônica), 4-Félix Briniack (harmônica) e 5-Arnaldo Rodrigues de Lima (violão). O efeito popular para quem se apresentasse num programa radiofônico era semelhante aos da televisão nos dias de hoje.
BANDINHA SÃO PEDRO VISITANDO A GRUTA DO RIO DOS BUGRES. (Data incerta) Nesta interessante fotografia, já meio apagada pela ação do tempo, vemos os seguintes músicos: (da esquerda para a direita): José Münch, Eduardo Anton, Otto Maros, João Naderer, João Frohener, Max Anton e José Anton. O nome do cachorro não sabemos! (Nota do Blog: Segundo informações transmitidas por Affonso Gerhard Froehner (falecido em 11/05/2010) ao administrador do Blog Rio Negrinho no Passado, a presente foto é de 05/04/1926, e na verdade trata-se da Bandinha Tureck, que constitui-se num dos mais antigos conjuntos musicais de Rio Negrinho. Nesta imagem vemos esta Bandinha em visita a bela gruta de Rio dos Bugres, festejando a segunda-feira de Páscoa, composta pelos seguintes membros, a partir da esq. José Munch, Eduardo Anton, Otto Maros, João Naderer, João Froehner, Max Anton e José Anton)
OS TEMÍVEIS. Fundado em 1968, foi o primeiro conjunto musical de guitarras da nossa cidade. Os quatro primeiros integrantes fundadores (na fotografia da esquerda para a direita) foram: Marinho Nossol, Celso Carvalho, Vergílio Ricobom e Juarez Garcia. Naquele tempo guitarristas eram mal vistos pela sociedade que os consideravam “cabeludos” mais ou menos o equivalente a maconheiros dos nossos tempos modernos. Essa história, contaremos em detalhes na próxima edição.
BANDINHA MIRIM – 1985. Aqui, a garotada fazia uma apresentação na estação ferroviária para os turistas. O regente da banda era Carlos Alberto Pinto Júnior. Esta iniciativa receptiva deveria permanecer até os dias de hoje, pois seria um ponto positivo para Rio Negrinho, mas infelizmente não mais acontece com freqüência. Que pena! Algo tão bonito não poderia perder-se no tempo!
JAZ BANDINHA GUARANI DE RIO PRETO FUNDADA EM 1957. Esta foto foi cedida ao Museu Carlos Lampe por Noemi Schade Schoeffel. Os músicos são: da direita para a esquerda em pé: 1-Alfredo Tureck, 2-Mario Schoeffel, 3-Teodomiro Schoeffel, 4- Cyrillo Schoeffel, 5-Bruno Schoeffel, 6-Antonio Vicente Thomaz (maestro), 7- Edy Schoeffel, 8-Paulo Beckert (sentado à esquerda) e 9-Braulio Schoeffel (sentado à direita).

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Quanto mais uma cidade cresce, mais necessário se faz conservar sua história para que não se percam no tempo suas raízes, principalmente as culturais que sustentam o progresso de um povo esclarecido e inovador.
Assim como as raízes de uma árvore são seus pés, a cultura de um povo também são seus pés e suas pernas. Cada cidadão de uma cidade deveria estar comprometido com a preservação do seu patrimônio histórico e defender com unhas e dentes esse resguardo.
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!