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domingo, 8 de março de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (52)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho” é de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, a quem agradecemos. Ela foi escrita para ser publicada durantes as festas natalinas de dezembro de 2014, porisso a intempestiva mensagem natalina.

O Que Se Foi e o Que Ficou! (III)

Considerações iniciais. (Texto de Celso). Tantos anos se passaram desde que aqui chegaram os primeiros imigrantes europeus, com a difícil missão de colonizar a terra, até nossos dias. Durante este tempo, muita coisa se fez e muita coisa se desfez. Mas, no cômputo geral, podemos afirmar que Rio Negrinho deu um belo salto do passado para o futuro. Há algumas décadas nem se poderia imaginar que nosso município estaria ligado por asfalto para os quatro cantos do país; nem se poderia pensar que todo mundo não mais iria ao cinema porque dentro das suas casas haveria um (TV). Ninguém nem desconfiaria que seria possível, em pouco tempo, deslocar-se confortavelmente até o norte do país. Como imaginar que poder-se-ia falar com alguém que mora no outro lado do mundo de dentro da sua própria casa? E como imaginar que para ir à escola não seria mais necessário caminhar pelas estradas (transporte veicular)? Antigamente havia, de certa maneira, engarrafamento de carroças dos colonos (foto 1) que vinham para a cidade para vender seus produtos da roça, hoje temos engarrafamentos de veículos motorizados (foto 2)! Ah! quem poderia imaginar que num futuro próximo os “cavalos” estariam dentro do carro? – refiro-me aos cavalos (força) dos carros, estamos bem entendidos?- Em todos os setores da vida humana, Rio Negrinho progrediu e virou uma cidade muito boa para morar, com, praticamente, todos os confortos oferecidos pela tecnologia. Já temos descrito, sobre as dificuldades para viajar nos tempos das carroças que levavam várias semanas para ir à Joinville e voltar. Uma viagem à praia era uma grande aventura, e quem ia, quando voltava, ficava o resto do ano “garganteando” e contando causos da sua aventura. Hoje, qualquer ser vivente pega seu carro, desanda morro abaixo e em menos de duas horas está lá em Barra Velha (Nossa! Como tem gente de Rio Negrinho em Barra Velha, pois até foi dado o nome de Rio Negrinho para uma das ruas daquela cidade praiana!). No entanto, aqui, em nossa cidade, muitas coisas boas e bonitas foram extintas, por razões plausíveis ou não. Veremos hoje algumas que ficaram ou foram modificadas. 

ENGARRAFAMENTO DE CARROÇAS NO CENTRO DA CIDADE – AO FINAL DA DÉCADA DE 30. Naquele tempo, nos finais de semana, eram tantas as carroças que vinham abastecidas com produtos da roça que ficava difícil circular pela rua central. O substantivo “carroça” quer dizer carro da roça, aqueles que os cavalos vão na frente puxando!
ENGARRAFAMENTO DE CARROS NO CENTRO DA CIDADE – 2014. Hoje, são tantos os veículos motorizados circulando pela mesma rua que fica difícil atravessá-la a não ser pelas faixas de segurança. Hoje, os cavalos vão dentro do motor do carro e, em certas ocasiões, os cavalos também vão sentados atrás do volante – como tem “cabra” inapto ao volante! Alguns deles, se fossem dirigir em São Paulo, matariam ou morreriam na primeira esquina! 
CASA CONSERVADA AO LADO DA EMPRESA “MÁQUINAS LAMPE”. Antes, esta casa era residência, hoje, abriga uma lanchonete. Nota do Blog: a imagem da residência de propriedade da família Lampe, foi construída por Carlos Lampe, ancestral desta tradicional família.
RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA NEIDERT - 2014. Esta, na Rua Dom Pio de Freitas, continua como era. Aqui funcionava o Comércio Neidert que vendia de tudo, desde alimentos até tecidos para fazer roupas. Ao lado desta casa havia um galpão onde funcionava, nas décadas de 50 até 80, uma serralheria também da mesma família. Naquele galpão foi encenado o primeiro teatro em Rio Negrinho. Quando obtivermos fotos do referido galpão, publicaremos.
RESIDÊNCIA DOS MURARA. Sita na esquina da Rua São Bernardo, esta casa permanece tal qual foi construída. Nela também funcionou, durante muitos anos, o comércio dos Murara. Hoje, ali, moram membros da família. Dela falaremos em outra edição! Nota do Blog: a imagem da residência de propriedade da família Murara, foi construída por Urbano Murara, ancestral desta tradicional família.
CASA DAS NAÇÕES – CASA DO TURISMO. Esta, graças a Deus, continua de pé! Seria um crime derrubá-la para, no lugar dela, construir-se outra coisa! Também dela falaremos em outra edição!  Nota do Blog: a imagem da residência que foi de propriedade da família Olsen e mais tarde Trouche, foi construída por Luiz Bernardo Olsen, ancestral desta tradicional família.
ESTA, AINDA BEM CONSERVADA. Sita na esquina das ruas Otília Virmond Olsen com a Dom Pio de Freitas, nela, por durante muito tempo funcionou o escritório da Fábrica de papel da Volta Grande.
SANTO E ABENÇOADO NATAL: FESTA DO MENINO JESUS.

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Não poderíamos encerrar esta edição sem deixar uma mensagem de Natal para nossos queridos leitores! Imagine que no dia do seu aniversário, sua família fizesse uma festa de arromba, com luzes, enfeites, doces, churrascada, música, muitos convidados e com tudo o que tem direito uma grande festa.
Durante a festa todos voltam a atenção para um personagem principal, que é venerado, adorado e assediado por todos que conferem-lhe altas honrarias. Ele é o centro das atenções e é a pessoa mais importante da festa. 
Está pensando que esta pessoa é você? Enganou-se redondamente! Você, o verdadeiro dono da festa, deveria ser o centro das atenções porque o aniversário é seu, mas não é assim que as coisas acontecem. Você foi esquecido chaveado lá dentro do seu quarto e quase ninguém lembra o seu nome mas, sim, daquele intruso, que não é o aniversariante e está sendo muito badalado na festa.
Estranho, não? É isso mesmo que acontece com a Festa do Nascimento do Menino Jesus! No lugar Dele, em quase todos os lugares, nas praças, nas casas, nas ruas, nas cabeças das pessoas e, por incrível que pareça, até em algumas igrejas o dono da festa é Papai Noel. Jesus é lembrado por poucos! 
O Verdadeiro Dono da festa é colocado de lado! Nesse mundo de negócios o Natal Cristão está cada vez mais sendo substituído pelo natal comercial, em outras palavras, troca-se o Cristão pelo pagão. Lembremos que Natal é somente a comemoração do Nascimento de Jesus, portanto, Seu aniversário!  O resto foi inventado pela indústria e pelo comércio com a finalidade do lucro.
Esta data oferece-nos oportunidade de olharmos para dentro da nossa alma e lá do fundo resgatarmos coisas esmorecidas como o amor, a caridade, o perdão, a benevolência, a solidariedade e tantos e tantos outros valores que o mundo moderno insiste em sufocar. Não cometa você esta injustiça! Desejamos a todos um Santo e Abençoado Natal! Faça festa, mas com Jesus Cristo no centro!
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

sábado, 7 de março de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (51)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 19/12/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

O QUE SE FOI E O QUE FICOU! (II)

Considerações Iniciais. Rio Negrinho foi fundada no bruto sertão junto às margens do rio que lhe deu o nome. A formação do povoado foi muito ajudada pela construção da estrada de ferro e a construção da estrada Dona Francisca que deram alento à instalação da fábrica de móveis que mais tarde veio a ser a grandiosa Móveis Cimo que propiciou ao pequeno povoado tornar-se vila e depois cidade. Cada colono que aqui se instalava, construía sua casa, às vezes de pau-a-pique. Algumas eram de tábuas horizontais, outras de tábuas verticais e outras ainda mistas (das duas maneiras).
No início de tudo, raramente construía-se em alvenaria porque a madeira era abundante, estava em todos os lugares, ali pertinho de onde se queria construir e, também, porque era material barato.
Mais tarde, já decorridos alguns anos, desde a chegada dos primeiros imigrantes, por exemplo, na década de 20 e 30, aos poucos as casas de alvenaria foram aparecendo, construídas por aqueles de maior estabilidade financeira. Temos alguns exemplos de construções antigas demolidas e de outras que ainda existem e que retratam nosso passado.
Algumas fotos, que hoje apresentamos, foram obtidas bem nos primórdios, quando os primeiros imigrantes começaram suas atividades na região.
RESIDÊNCIA DOS PRIMEIROS COLONOS, CONSTRUÍDA COM TÁBUAS HORIZONTAIS. Muitos dos imigrantes europeus trouxeram este modelo de casa do lugar de onde vieram e o copiaram sentindo-se, assim, mais perto da sua terra natal. Os telhados eram compostos de tabuinhas encaixadas umas nas outras. Em muitos casos até as paredes eram de encaixe, sem nenhum prego. Em São Bento do sul, ainda hoje, temos casas construídas nesse sistema e que podem ser apreciadas bem de perto. Nota do Blog: imagem de moradia de imigrante de São Bento do Sul, que foi levada por Jorge Zipperer em sua viagem à Bohêmia, para mostrar as condições de vida dos mesmos, em 1938. (Foto: acervo de Elvira Schiessl da Silva, publicada no Blog Rio Negrinho no Passado em 25/10/2012)
CASA DE MADEIRA MODELO MISTO – HORIZONTAL E VERTICAL. Tudo, naquele tempo, era feito manualmente, desde cortar as árvores à machadadas e escavar a terra para arrancar os cepos das árvores cortadas. Os colonos tinham que fatiar as toras à custa de serrotes e serras na força braçal para conseguir tábuas. Não havia máquina alguma para auxiliar na árdua tarefa. Todos os diques, casas, ranchos, cercas, estradas e carreiros eram trabalhados no muque. Note o detalhe do telhado dessa casa: a cumeeira tem uma dobra em forma de triângulo. Quem assim procedia nesse tipo de construção queria mostrar destaque e comunicar que era gente importante. Digamos, era um procedimento vaidoso. Mesmo na simplicidade, a família toda labutava de sol a sol para tirar seu sustento da terra, plantando aipim, milho, frutas, batata, feijão, etc. Quase não havia animais de tração e de carga para facilitar o trabalho duro na roça. Esses colonos sabiam das dificuldades que enfrentariam na nova terra, mas o faziam com amor, determinação e com grande dose de heroísmo. Nada, nem chuva, nem sol e nem geada impedia que executassem sua missão de colonizar a terra e criar a família! Olhe bem na foto e imagine que tudo o que você vê foi feito com suor e sofrimento! A mata virgem foi transformada em benefícios pelos bravos desbravadores! Nota do Blog: imagem de moradia de imigrante de São Bento do Sul, que foi levada por Jorge Zipperer em sua viagem à Bohêmia, para mostrar as condições de vida dos mesmos, em 1938. (Foto: acervo de Elvira Schiessl da Silva, publicada no Blog Rio Negrinho no Passado em 25/10/2012)
CASA DE ALVENARIA. Casas de alvenaria e com varanda na frente como esta permaneceram e, ainda hoje, são parte das paisagens típicas do interior. Eram construídas por famílias mais abastadas. Nota do Blog: imagem de moradia de imigrante de São Bento do Sul, que foi levada por Jorge Zipperer em sua viagem à Bohêmia, para mostrar as condições de vida dos mesmos, em 1938. (Foto: acervo de Elvira Schiessl da Silva, publicada no Blog Rio Negrinho no Passado em 25/10/2012)
CENTRO DA VILA DE RIO NEGRINHO NO INÍCIO DA DÉCADA DE 30. Este retrato mostra a rua hoje denominada Jorge Zípperer. A maioria casas era de madeira. Até a ponte da matriz sobre o rio Negrinho (que não aparece na foto, mas que está logo após a curva) era de madeira. À esquerda vê-se a Padaria Flora, talvez a primeira padaria da cidade.
PONTE DE MADEIRA SOBRE UM DOS RIOS DE RIO NEGRINHO, NOS PRIMÓRDIOS. Há homens sobre a ponte, provavelmente fazendo reparos.
MUSEU CARLOS LAMPE, NO CENTRO DE RIO NEGRINHO. Esta construção de madeira horizontal, que pertencia à família de Jorge Zípperer, sobreviveu no tempo, foi tombada e reformada, mas precisa de cuidados especiais para que permaneça por muitos anos enchendo os olhos da nossa gente e dos turistas. 
HOTEL RIO NEGRINHO, PRIMEIRO HOTEL DA CIDADE. Construído à rua Dom Pio de Freitas (1910), não mais existe. Deu lugar à construção sita em frente à travessa que liga as ruas São Bernardo e Otília Virmond Olsen, esta última passa na parte de baixo da Escola Marta Tavares.
CASA DE TÁBUAS FINAS HORIZONTAIS NA RUA SÃO BERNARDO. Esta bela casa ainda está lá do mesmo jeito que foi construída. É um patrimônio da História de Rio Negrinho. Nota do Blog: esta casa foi construída em 1931, por Martin Ilg, guarda-livros da empresa de Luiz Bernardo Olsen. 
CASA DOS PAIS DO FALECIDO HANS (JOÃO) BOELITZ E AVÓS DO VEREADOR OSNI BOELITZ, NA RUA DOM PIO DE FREITAS. Na década de 50, o casal de simpáticos velhinhos Boelitz, vendia picolés e pirulitos pelas ruas da cidade.  A casa deles (foto), ao lado da valeta que vinha da Rua do Sapo, continua de pé e bem conservada. Ela retrata os velhos tempos em que Rio Negrinho desfrutava de absoluta tranqüilidade. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS. Se você tiver fotos ou objetos dos seus falecidos pais e avós, não os destrua, mas sim, conserve-os com muito carinho, pois são produtos da sua própria história e fazem parte da sua vida. Na verdade, são documentos da evolução desde seus antepassados até você. Ame o que é seu! Por hoje é só! Obrigado!
Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

quinta-feira, 5 de março de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (50)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 12/12/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.


O QUE SE FOI E O QUE FICOU!

Considerações Iniciais. Rio Negrinho evoluiu e transformou-se de pequena vila em cidade com leve ar de moderno centro urbano. Alguns edifícios mais altos despontam aqui e ali. No entanto, ainda pode-se andar tranquilamente por quase todas as ruas da cidade, sem medo de ser assaltado, a não ser o trânsito que está virando incômodo, principalmente no centro da cidade, de resto, tudo mais reflete paz e sossego.
Mostraremos, hoje, algumas imagens raríssimas do nosso passado e, também, algumas casas que permanecem como eram, apesar do tempo e outras que não mais existem.
Iniciaremos pela rua Jorge Lacerda e imediações e, noutra oportunidade, avançaremos para outros bairros como mesmo objetivo. Osni Muhlbauer, amigo nosso, nos forneceu duas fotos antigas raríssimas da Rua Jorge Lacerda (rua do Sapo), ao qual agradecemos.
RUA JORGE LACERDA (Rua do Sapo) EM CONFLUÊNCIA COM A RUA DOM PIO DE FREITAS E VISTA PARCIAL DO BAIRRO CERAMARTE NA DÉCADA DE 70.  Aqui vemos a Ceramarte dez anos após o incêndio que a levou às cinzas. Os proprietários souberam dar a volta por cima e, em pouco tempo, multiplicaram em muitas vezes seu patrimônio. O nº 1 mostra a esquina da rua Dom Pio de Freitas com a rua Dom Pedro II. O nº 2 mostra a residência do Sr. Engelberto Stiegler (falecido) que hoje pertence aos herdeiros. 
O MESMO LOCAL – 2014. Aqui, também, os nºs 1 e 2 , mostram o mesmo lugar. Compare as duas fotos e veja que diferença entre os tempos antigos (1970) e os de hoje (2014).
A MESMA ESQUINA (Nº 1) PROVAVELMENTE NA DÉCADA DE 40. Nesta rara foto voltamos no tempo lá para os idos anos 40. Repare que além da confluência das ruas Dom Pio de Freitas e Dom Pedro II não há nenhuma construção. Mais tarde, naquele vazio, no meio dos morros, o Sr. Hornick construiu uma fábrica de móveis, que hoje não existe mais. Vemos a pontinha do telhado da serraria do Sr. José Bail e parte do pátio com madeiras empilhadas. No lugar desta serraria, hoje encontra-se o Posto de Combustível “Nosso Posto”.
RUA DO SAPO NA DÉCADA DE 40. Esta é a foto mais antiga da Rua do Sapo que temos em mãos. A valeta da esquerda, na fotografia, era bem funda. A da direita era mais rasa e dentro dela crescia, abundantemente, muito mato e agrião. O pessoal da rua colhia o agrião para servir como salada nas refeições em casa. Provavelmente não havia contaminação porque as “patentes” eram construídas quase sempre no fundo dos quintais, longe das valetas nas quais só escoava as águas vindas dos morros.
RUA DO SAPO, TAMBÉM NA DÉCADA DE 40. Esta foto, fornecida pelo Sr. Osni Muhlbauer, também é muito antiga. Vê-se à esquerda, em primeiro plano, a torrefação de café, onde se produzia o Café Rio Negrinho, bom prá chuchu. O café era puro, moído ali mesmo com os melhores grãos, sem mistura de outros ingredientes. Na frente da torrefação, numa noite escura um homem foi assassinado com umas dez facadas, depois de terem discutido num bar próximo do local do crime e, meio bêbados, ali se enfrentaram. Os  moradores próximos, ouviram a vítima gritar várias vezes: “Não me mate! Não me mate!” Quando o pessoal saiu para socorrê-lo, o homem já estava morto. E foi neste mesmo local que aconteceu “A batalha da Rua do Sapo” já contada neste mesmo jornal em outra oportunidade. No outro lado, depois do poste, vemos o Cartório de Vagemiro Jablonski, o único cartório da cidade. Naquele tempo tudo se resolvia num só cartório. As duas construções acima citadas não mais existem. As pessoas na foto são - na moto, na garupa: Bruno Muhlbauer; ao lado da moto: Urbano Muhlbauer e no meio da rua: Osvaldo Muhlbauer. Não conseguimos identificar o piloto da moto. Nesta rua, de vez em quando, passavam grandes boiadas que vinham do interior do município, tocadas por boiadeiros a cavalo e que as levavam para fazendas do Paraná. Em muitos dos casos, o comboio de cavaleiros, cavalos, cachorros e bois andavam semanas a fio até chegarem ao destino final.
ENCHENTE NA RUA DO SAPO EM 1960. Nesta foto, também fornecida pelo Sr. Osni Muhlbauer, vemos uma das freqüentes enchentes na Rua do Sapo. Esse fato se repete ainda nos dias de hoje, basta uma boas enxurrada para que a rua fique alagada causando transtornos aos moradores e comerciantes. Se até então o problema das enchentes na Rua do Sapo não foi solucionado, provavelmente, não mais o será, pelo menos a curto ou médio prazo. Em primeiro plano, na foto, à direita, a casa dos Muhlbauer que ainda existe um pouco modificada. Já adiante o cartório Jablonski e a seguir, no mesmo lado, a Borracharia do falecido Artur Purim. As pessoas que pudemos identificar são: na frente, à esquerda: Sr. Abílio Gadotti (falecido); na porta da varanda: o garotinho Osni Muhlbauer, aos 8 ou 9 anos de idade.
RUA JORGE LACERDA (RUA DO SAPO), 2014. Nesta rua poucas casas permanecem. Uma delas é a dos Muhlbauer que já foi modificada (aquela entre os dois carros).
CASA CONSTRUÍDA POR FERNANDO TURECK NA DÉCADA DE 40 (A FOTO É DE 1975). Esta baixada entre os morros era um banhadão. Para que as casas pudessem ser construídas era preciso aterrar o local. Pense no esforço dos nossos descendentes, pois tudo era feito com serviço braçal porque não havia máquinas. Esta casa ainda existe, embora um pouco modificada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Rio Negrinho, aos poucos vai se projetando para o futuro. Dia a dia as modificações acontecem aqui e ali. Nesta evolução, algumas amostras do passado estão sendo conservadas, mas muitas e muitas se foram e não voltam mais. E, destas que ficaram, quantas serão sacrificadas em nome do progresso?!
Obviamente, ninguém quer viver nas condições precárias do passado – pouco comércio, ruas de terra, pouca luz elétrica, sem televisão, telefone e outras mordomias do presente – mas se faz mister preservar a memória do passado através da conservação de bens patrimoniais  para que não se perca o gosto por nossas raízes!
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do céu! 

quarta-feira, 4 de março de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (49)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 05/12/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

O PASSADO QUE SE FOI!

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. Rio Negrinho evoluiu. Muita coisa melhorou, mas muitas que deveriam ser preservadas não o foram. Nesta evolução, as mudanças trouxeram maior conforto aos seus munícipes, como ruas asfaltadas, abertura de novas ruas facilitando acessos mais rápidos entre bairros, em quase todos os bairros construíram-se novas escolas, postos de saúde, ginásios de esporte, igrejas, lojas, linhas de ônibus circulares operam e tornam a locomoção das pessoas mais confortável e rápida.
Quase todas as famílias possuem telefone fixo ou celular, o corpo de bombeiros e muitas outras entidades de serviço público oferecem seus préstimos, mercados e farmácias multiplicaram-se, indústrias espalharam-se por todos os cantos, com isso e muito mais.
Rio Negrinho tornou-se uma cidade moderna  e usufrui da maioria dos avanços existentes nas grandes metrópoles. Porém, muita coisa bonita deixou de existir. No lazer, teatros, parques, circos, os bons bailes no Salão Lampe e no Salão da Sociedade dos Cantores desapareceram e o futebol de campo rareou com o aparecimento da TV, o cinema fechou também devido à disseminação da TV. 
Tomar banho e nadar nos rios da cidade nem pensar devido à poluição das águas. Assim, o lazer dos rionegrinhenses ficou restrito às poucas ofertas além dos programas de televisão. Então, quanto ao lazer, Rio Negrinho andou para trás. Mas hoje, nos atearemos à conservação do Patrimônio Histórico de nossa cidade que aos poucos vai sendo engolido pelo progresso. São várias as construções que desapareceram, consumidas pelo fogo, transformadas ou demolidas, mas que deveriam ser conservadas com reformas, tombamento e outros procedimentos que nos proporcionariam o enlace com o passado e a preservação da identidade cultural dos nossos pioneiros.
Mostraremos algumas construções que poderiam ainda estar lá onde foram feitas e do jeito que foram feitas.
FACHADA DA MÓVEIS CIMO. Apesar da falência, custava preservar pelo menos sua fachada para que o povo deste município admirasse parte da empresa que alimentou milhares de pessoas e que, por muito tempo, foi a maior fábrica de móveis da América Latina? Seria, sem dúvida, o maior símbolo de Rio Negrinho! 
AVENIDA DOS IMIGRANTES. Hoje o lugar está assim. A única edificação que lembra a grande fábrica de móveis é a sua chaminé. 
PRÉDIO DA INTENDÊNCIA MUNICIPAL, 1935 - MAIS TARDE VIROU PREFEITURA E, POR FIM, FÓRUM. Este prédio foi parcialmente destruído pelo fogo, mas facilmente poderia ter sido restaurado, tombado e virado patrimônio histórico, o que seria um bem a mais para nossa cidade.
PRAÇA DO AVIÃO – 2014. Hoje, a Praça do Avião seria bem mais bonita com a presença do antigo prédio da Prefeitura.
CINE RIO NEGRINHO. Construído no final da década de 40, funcionou por muitos anos oferecendo bons filmes ao público. Fechou por falta de público depois que a TV entrou nos lares, então, imperou a comodidade de ver filmes no sofá dentro de casa e sem pagar ingresso.
ATUALMENTE (2014) LOJAS SALFER NO LUGAR DO CINE.
FINAL DA RUA JORGE ZÍPPERER, PRÓXIMO À VIA FÉRREA. Compare esta fotografia, tirada no início da década de 70, de cima dos andaimes da torre da Igreja Matriz, com a seguinte em 2014. Nenhuma das casas antigas ficou de pé.
O MESMO TRECHO DA RUA JORGE ZÍPPERER, 2014. 

PROCISSÃO PASSANDO NA PONTE SOBRE O RIO NEGRINHO NO CENTRO DA CIDADE EM 1938. Que sonho se esta ponte fosse conservada ou reconstruída tal como era e uma nova construída ao lado dela para acompanhar a mudança dos tempos, tal como aconteceu em Florianópolis com a Ponte Hercílio Luz que foi preservada e está sendo toda restaurada.
PONTE DA MATRIZ, HOJE (2014). 

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Rio Negrinho não tem o costume cultural de preservar construções históricas através de tombamento, enquanto que em São Bento do Sul há pelo menos quarenta prédios e monumentos tombados, restaurados e conservados. Mesmo assim, é muito bom morar aqui e cada cidadão deve fazer com que sua residência, praças e monumentos fiquem sempre bonitos e bem conservados.
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

terça-feira, 3 de março de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (48)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 28/11/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

DIVERSIDADE!

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. DIVERSIDADE. Ao analisarmos o panorama cultural de Rio Negrinho constatamos que a diversidade da nossa cultura, resultado das correntes migratórias que aqui chegaram, aliada ao fato desses povos ocuparem áreas específicas dentro da nossa também diversificada Geografia, propiciou a formação de regiões com identidade cultural própria. Por exemplo: Colônia Olsen é bem diferente de Rio dos Bugres; Colônia Miranda é diferente de Serro Azul; a cidade de Rio Negrinho é muito diferente do Distrito de Volta Grande, isso tudo considerando os aspectos sócio-culturais, econômicos e geográficos.

IGREJA SÃO PEDRO EM COLÔNIA OLSEN, RIO NEGRINHO, SC.-1975. O sucesso alcançado pelo imigrante através do seu trabalho em condições favoráveis de solo, clima e até de paisagens - muitas vezes idênticas as da sua terra natal – propiciou um progresso sistemático, em muitos lugares sem rupturas com o passado e que deveria ser conservado a qualquer custo. Idéias, lugares e povos diferentes levam às diferentes ações. Isto, também acontece numa região toda. Assim o rico Patrimônio histórico-cultural do imigrante em Rio Negrinho e região não é resultado de apogeu e decadência de ciclos econômicos, como também não é a sobra de crescimento desordenado da cidade ou de êxodo rural. Veja como são diferentes as construções nas cidades colonizadas e construídas por diferentes povos. As fotografias contam que cada povo através dos seus costumes, tradições e construções, nos deixou a lembrança viva do lugar de onde veio (Europa). 
IGREJA ENXAIMEL, BENEDITO NOVO, SC.
PRIMEIRA IGREJA CATÓLICA E PRIMEIRA ESCOLA DE RIO NEGRINHO. A escola foi derrubada pelo tornado de 1932. No lugar da igreja de madeira foi construída a atual Igreja Matriz Santo Antonio.
SEGUNDA IGREJA CATÓLICA DE RIO NEGRINHO. A foto mostra o levantamento da Cruz das Santas Missões em 1950. A torre nesta igreja, posteriormente erigida (atual),  descaracterizou seu estilo original.
RIO NEGRINHO NO INÍCIO. Pena que, no transcorrer do desenvolvimento, o Patrimônio deixado pelo imigrante esteja, pouco a pouco, desaparecendo; é lastimável que o progresso não conviva de mãos dadas com as tradições expressas através da arquitetura, da arte, do folclore, do artesanato, das atividades agrícolas e industriais e até no modo de falar do imigrante alemão, do italiano e do polonês. Dentre tantos dissabores sócio-culturais, podemos citar, na área da arquitetura, a demolição de muitas construções que ricamente contariam boa parte da História de Rio Negrinho, como o prédio da Prefeitura na Praça do Avião, a belíssima casa do Dentista Klaumann, a grande e arredondada construção da extinta Móveis Cimo e por muito pouco também a chaminé da Cimo não foi derrubada. Além destas, outras, como o Salão Lampe e a sede da Sociedade Esportiva Ipiranga, que foram consumidas pelo fogo, não mais existem. Quando estas construções vieram abaixo, ouviu-se muito o lamento das pessoas: “que pena!”. Veja um exemplo da força da cultura tradicional de um povo mais culto. No Rio de Janeiro, quando a Avenida Rio Branco estava sendo aberta, já estava programada a demolição da Igreja Candelária, mas o povo protestou energicamente, assim a avenida parou de ser construída exatamente no início do pátio da igreja. Por causa do amor à preservação a grandiosa construção ainda continua lá, em frente à Praça XV e é orgulho do povo carioca. Não é o que vemos acontecer em Rio Negrinho. Basta alguém abrir a boca, alegando qualquer motivo, ás vezes fútil, para que a extinção, remoção ou demolição de um bem patrimonial seja praticada sem pesar na balança o crime contra a herança que nossos antepassados nos deixaram. Isto aconteceu muitas vezes em nossa cidade: construções e peças que justificariam plenamente a preservação histórica foram destruídas, modificadas ou consumidas. 
EDIFICAÇÕES EM MADEIRA DE IMIGRANTES ITALIANOS, EM VIDEIRA, SC. Não só em Rio Negrinho são praticados atos “modernistas” frontalmente contra a preservação da cultura de um povo. Veja o exemplo de Mafra. A linda igreja católica no alto da cidade foi demolida por “progressistas” e, apesar dos protestos populares, no lugar dela construíram um templo no mínimo sem graça. A antiga construção era linda!
CASA DE IMIGRANTES POLONESES EM ITAIÓPOLIS, SC. Ainda hoje existem construções como estas em Itaiópolis, bem conservadas, contando a história da luta de um povo que veio colonizar aquele belo trecho de Santa Catarina. Ali, também, é um reduto de descendentes ucranianos que conservam suas tradições, costumes e língua.
CASA DE IMIGRANTES ALEMÃES EM BLUMENAU, SC. Voltando ao tema Diversidades, podemos citar alguns fatores que as determinam:  o clima e a Geografia do lugar – morros, rios e planícies – levam aos diferentes tipos de construções; as facilidades ou dificuldades físicas do solo proporciona esta ou aquela atividade econômica, como o feitio de roças num lugar, o desenvolvimento de fábricas noutro lugar, a construção de cidades em outro; lugares com paisagens bonitas e específicas estimulam o turismo.
CONSTRUÇÃO LUSO-BRASILEIRA DE MEADOS DO SÉCULO XIX, EM LAGUNA, SC.


CONSIDERAÇÕES FINAIS. Nós somos a herança dos nossos antepassados, caberá a nós selecionarmos o que de melhor existe e somarmos a isso a nossa contribuição para as gerações futuras. Na próxima edição mostraremos algumas edificações que, por força cultural e patrimonial, não poderiam ter sido extintas em Rio Negrinho.
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

domingo, 1 de março de 2015

RIO NEGRINHO: COMO ERAM REALIZADOS OS FUNERAIS E OS SERVIÇOS DE CEMITÉRIOS AO LONGOS DOS TEMPOS!

Nota do Blog: O presente artigo é fruto de conversas mantidas com o jornalista Douglas Dias, que buscava as origens do carro fúnebre, que foi utilizado por mais de 3 décadas, em nossa cidade. Para elaboração do presente artigo foram entrevistados: Afonso Weiss, 82 anos, aposentado, morador da rua Jorge Lacerda, em Rio Negrinho; Ivo Antonio Liebl, empresário, morador do bairro no Bairro São Rafael; Reinaldo Treml, empresário, 76 anos, natural de São Bento do Sul, e morador de nossa cidade, desde 1967; Izilda Treml, natural de Canoinhas, moradora de Rio Negrinho, desde 1967; Adalberto Eurico Pruess (Bubi), músico, 70 anos; Humberto Piccinini, representante comercial, morador no bairro São Rafael; e, Bibi Weick, fotógrafo; as fotos do carro fúnebre são de autoria do jornalista Douglas Dias, a quem agradecemos.

Reinaldo Treml fundador e proprietário da primeira funerária de Rio Negrinho, a partir de 1972 (Foto: acervo do autor do Blog)
Izilda Treml, fundadora e proprietária da primeira empresa funerária de Rio Negrinho, a partir de 1972 (Foto: acervo do autor do Blog)
Afonso Weiss, 82 anos, mecânico aposentado e músico (Foto: acervo do autor do Blog)
Introdução
Diz um velho ditado que “a única certeza que temos na vida é a morte”. Com a vinda dos primeiros moradores de Rio Negrinho, ainda no final do século XIX até a formação da Vila de Rio Negrinho, a partir de 1910, os serviços funerários e de cemitério foram sendo implantados e se aprimorando ao longo destes mais de 150 anos. O presente estudo, ainda de caráter preliminar, certamente será enriquecido com outras informações, após a presente publicação.

Cemitérios
O sepultamento dos falecidos na região de Rio Negrinho, a partir de 1875, certamente eram realizados no Cemitério do Lençol. Neste local foram enterrados os falecidos até julho de 1923.
Naquela data foi construído o primeiro cemitério da cidade de Rio Negrinho, num terreno doado pelo pioneiro José Brey e pela empresa Ehrl & Cia. Desde setembro de 1999 este cemitério é denominado “Jardim da Saudade”.
Ele está localizado rua Pedro Simões de Oliveira, e o primeiro sepultamento se deu com a morte de Max Raschke, realizado em 03/07/1923.
Anos mais tarde, em 1981, por iniciativa do então prefeito Paulo Beckert, foi construído o Cemitério Municipal Parque da Colina.
Outros cemitérios se localizam em nosso município de cunho particular, como o de Colônia Olsen, Queimados e Caunal, implantados em datas ainda não devidamente levantadas.
As sepulturas seguiam a moda antiga, onde as sepulturas deviam ser abertas com 7 palmos, equivalente a 1,50 metros.
Um dos mais lembrados coveiros do Cemitério Jardim da Saudade é Alfredo Sandri, gaúcho de Passo Fundo, falecido com 68 anos, em 02/10/1966. 

Carro Fúnebre e Enterro
O translado dos defuntos nos primeiros tempos era feito pela alça das urnas funerárias ou em carroças puxadas por cavalos, improvisadas para esta finalidade.
O que sabemos é que a primeira carroça fúnebre em Rio Negrinho foi construída em 1954, por José Zipperer Sobrinho, contratado pela Prefeitura Municipal, recém desmembrada de São Bento do Sul.
José Zipperer Sobrinho e sua ferraria então situada à rua D. Pio de Freitas, esquina com a rua Jorge Lacerda (Foto: acervo de Alois Augustin)
José Zipperer Sobrinho tinha como de profissão ferreiro e era fabricante de carroças. Ele era natural de São Bento do Sul, casado com Elisabeth Brey, filha do pioneiro José Brey, falecido com 56 anos de idade, em 28/11/1954, deixando na oportunidade 8 filhos. A sua morte causou grande comoção na cidade.
Muitos ainda lembram que este carro fúnebre, ficou muito tempo estacionado na rua Carlos Weber, ao lado do antigo prédio da antiga Delegacia de Polícia e mais tarde no galpão, edificado no terreno do Sindicato Rural, no bairro Bela Vista, onde está localizado o atual prédio da Polícia Militar e do Bombeiros. Mais tarde, ficou sob a guarda da família de Engelberto Furst e seus descendentes, onde permanece até a presente data.
Um dos condutores do carro fúnebre ao longo de muitos anos foi Engelberto Furst, seguido mais tarde neste trabalho pelos seus filhos Pedro e Leo.
Na prestação dos serviços os condutores do carro fúnebre, eram contratados diretamente pelos familiares do falecido.
Enterro do agricultor Jorge Ruckl, ocorrido em 25/07/1957 (Foto: acervo de Leoni e Ernesto Tureck)
O serviço de transporte funerário através da carroça fúnebre foi sendo abandonado gradativamente pelo uso do transporte funerário automotivo, a partir de 1972, com a criação da primeira empresa funerária.
Os enterros lembrados como os maiores realizados com o uso do carro fúnebre dos últimos anos foi o do empresário Martim Zipperer, ocorrido em 24/11/1971 e o Evaristo Stoeberl, ocorrido em 12/11/1995.
Martin Zipperer, empresário e um dos diretores da antiga Móveis Cimo (Foto: acervo do Arquivo Municipal de Rio Negrinho)
Aliás, segundo informações, o enterro do empresário e tradicionalista Evaristo Stoeberl foi o último realizado pelo carro fúnebre.
A cor preta predominava, dos cavalos ornamentados com penachos ou fitas pretas. O condutor com seu terno escuro, e até a própria carroça toda, ornamentada tendo como ornamento principal uma cruz no teto.
E como em outras cidades, como Blumenau, São Bento do Sul e Pomerode, possuíam também seus carros fúnebres, no mesmo estilo, presume-se que tenham tido inspiração europeia.
O séquito do enterro era formado primeiro do padre ou do pastor, seguido dos familiares mais próximos, e logo após, pelos amigos e conhecidos.
Engelberto Furst, agricultor e carroceiro, era natural de Rio Negrinho, nascido em 07/11/1905, faleceu nesta cidade, com 84 anos, em 15/07/1990, casado com Rosa Anton, deixou 11 filhos.
Engelberto e Rosa Furst, ladeados pelos 11 filhos, em 1949 (Foto: acervo de Laércio Furst)
Carro Fúnebre Preservado
Atualmente, raríssimos exemplares ainda existem, em São Bento do Sul, a carroça fúnebre que serviu a cidade por muitos anos foi restaurada e hoje está em exposição permanente em frente ao cemitério municipal.
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Já em Rio Negrinho, a família de Füerst tem preservado a carroça que serviu por décadas para transporte dos falecidos.
Laercio Fürst, 34 anos, conta que o veículo está sob a guarda da família há décadas, primeiro ficou aos cuidados de seu avô, de um tio, depois, quando este foi morar em outra cidade, seu pai, Leo Fürst, assumiu o trabalho.
“Devido uma doença degenerativa meu pai não pode mais conversar, e meu tio já é falecido, com isso, boa parte desta história não possa ser resgatada, nossa expectativa é que alguém que leia esta reportagem possa contribuir com alguma história e fotos desta época.”
Leo Furst, agricultor e tradicionalista, por muitos anos um dos condutores do carro fúnebre em Rio Negrinho (Foto: acervo da família)
Judita Maria Furst, esposa de Leo (Foto: acervo do autor do Blog)

Laércio Furst, filho de Leo (Foto: acervo do autor do Blog)
Empresa Funerária e Transporte Funerário Automotivo
Em 1967, Reinaldo Treml e sua esposa Izilda, oriundos de São Bento do Sul, se estabeleceram em Rio Negrinho, e criaram uma marmoraria. Em 1972, Reinaldo aconselhado pelos empresários Alberto Franz Muller e Evaristo Stoeberl, criou a empresa Funerária Nossa Senhora de Fátima, a primeira neste ramo em Rio Negrinho, que passou a prestar os serviços de fornecimento de urnas e o transporte funerário automotivo, até então inédito na cidade.
Segundo Reinaldo Treml, o primeiro veículo motorizado no transporte funerário foi uma Kombi e posteriormente por uma Caravan.
Reinaldo Treml seguiu na direção da empresa Funerária Nossa Senhora de Fátima até 1989, quando transferiu para outros proprietários.

Urnas Mortuárias
As urnas funerárias até 1972, antes do estabelecimento da primeira empresa funerária, eram fabricadas na empresa de Martin Schauz e posteriormente pela fábrica de Alberto Franz Muller, apelidado carinhosamente de Zé do Caixão, situado à rua Roberto Lampe.
A partir daquela data, Alberto Franz Muller e outros sócios fundaram a Móveis Muller, atual Milamóveis, situada no bairro Indl. Norte, abandonando este ramo de serviço.
As urnas funerárias após 1972, após o estabelecimento da primeira empresa funerária, começaram a serem adquiridas de empresas especializadas de outros municípios.
A própria Prefeitura fabricou durante muitos anos urnas mortuárias destinado aos menos favorecidos, através dos seus servidores Mauro Rodrigues, Sebastião Cavalheiro, Paulo Anton e Manoel Pereira.
Enterro realizado em 1982, saído da Igreja São Pedro de Colônia Olsen, rumo ao cemitério daquela localidade (Foto: acervo de Laércio Furst)
Capela Mortuária
Os velórios na cidade até a inauguração, em 02/11/1988, pelo prefeito Dr. Romeu Ferreira de Albuquerque da Capela Municipal Mortuária da Ressureição, eram realizadas nas moradas dos familiares dos mortos, e a partir daquela data, gradativamente aquele espaço foi sendo utilizado pela comunidade.
Atualmente, quase 100% dos velórios são realizados nas Capelas Mortuárias mantidas pela municipalidade.

Luto
Atualmente os sinais externos de luto por falecimento dos parentes mortos estão praticamente esquecidos.
Alguns sinais de luto eram externados por fita preta no braço, ou ainda uma pequena tira preta de pano na lapela. Muitas das senhoras enlutadas se utilizavam de saias ou vestidos pretos.
O luto era guardado por um ano e por alguns meses, dependendo do grau de parentesco.

Sinos
Por quem os sinos dobram? Rio Negrinho, sendo uma cidade ainda pequena, era comum, o falecimento ser anunciado pela batidas do sino da Igreja Matriz, nas mãos de Ignácio Gonchorowki ou do Leonardo Szostak, carinhosamente conhecido por Chico Bobo. Ignácio Gonchorowki e Leonardo Szostak eram requisitados e se prontificavam gratuitamente a fazer este trabalho pois moravam bem próximos da Igreja Matriz.
Com as batidas do sino da Igreja as pessoas se certificavam de quem havia falecido através do anúncio pelos familiares na Rádio Rio Negrinho, então a única existente.
Como quase 100% dos velórios eram realizados nas residências, os católicos após o velório transladavam o corpo até Igreja Matriz Santo Antonio, onde era feito as rezas próprias para o evento, e em seguida levado ao Cemitério Municipal. Tanto na chegada como na saída do funeral da Igreja os sinos eram repicados.
Este costume tradicional, atualmente é pouco usual, pois as rezas aos mortos são realizadas nas próprias Capelas Mortuárias e após são transladados diretamente aos cemitérios.
O sineiro Leonardo Szostak, mais conhecido por Chico Bobo, era natural de Itaiópolis, morou por anos em Rio Negrinho, acolhido na generosidade da sra. Angela Mallon, faleceu aos 69 anos, em 15/09/1987.
O sineiro Ignácio Gonchorowki, era natural de São Bento do Sul, seleiro de profissão, faleceu aos 88 anos, em 24/12/1991.
Enterro realizado na década de 1980, conduzido por Léo Furst, na esquina das ruas Arnaldo Almeira Oliveira e Luiz Scholz (Foto: acervo de Laércio Furst)