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quarta-feira, 4 de março de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (49)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 05/12/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

O PASSADO QUE SE FOI!

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. Rio Negrinho evoluiu. Muita coisa melhorou, mas muitas que deveriam ser preservadas não o foram. Nesta evolução, as mudanças trouxeram maior conforto aos seus munícipes, como ruas asfaltadas, abertura de novas ruas facilitando acessos mais rápidos entre bairros, em quase todos os bairros construíram-se novas escolas, postos de saúde, ginásios de esporte, igrejas, lojas, linhas de ônibus circulares operam e tornam a locomoção das pessoas mais confortável e rápida.
Quase todas as famílias possuem telefone fixo ou celular, o corpo de bombeiros e muitas outras entidades de serviço público oferecem seus préstimos, mercados e farmácias multiplicaram-se, indústrias espalharam-se por todos os cantos, com isso e muito mais.
Rio Negrinho tornou-se uma cidade moderna  e usufrui da maioria dos avanços existentes nas grandes metrópoles. Porém, muita coisa bonita deixou de existir. No lazer, teatros, parques, circos, os bons bailes no Salão Lampe e no Salão da Sociedade dos Cantores desapareceram e o futebol de campo rareou com o aparecimento da TV, o cinema fechou também devido à disseminação da TV. 
Tomar banho e nadar nos rios da cidade nem pensar devido à poluição das águas. Assim, o lazer dos rionegrinhenses ficou restrito às poucas ofertas além dos programas de televisão. Então, quanto ao lazer, Rio Negrinho andou para trás. Mas hoje, nos atearemos à conservação do Patrimônio Histórico de nossa cidade que aos poucos vai sendo engolido pelo progresso. São várias as construções que desapareceram, consumidas pelo fogo, transformadas ou demolidas, mas que deveriam ser conservadas com reformas, tombamento e outros procedimentos que nos proporcionariam o enlace com o passado e a preservação da identidade cultural dos nossos pioneiros.
Mostraremos algumas construções que poderiam ainda estar lá onde foram feitas e do jeito que foram feitas.
FACHADA DA MÓVEIS CIMO. Apesar da falência, custava preservar pelo menos sua fachada para que o povo deste município admirasse parte da empresa que alimentou milhares de pessoas e que, por muito tempo, foi a maior fábrica de móveis da América Latina? Seria, sem dúvida, o maior símbolo de Rio Negrinho! 
AVENIDA DOS IMIGRANTES. Hoje o lugar está assim. A única edificação que lembra a grande fábrica de móveis é a sua chaminé. 
PRÉDIO DA INTENDÊNCIA MUNICIPAL, 1935 - MAIS TARDE VIROU PREFEITURA E, POR FIM, FÓRUM. Este prédio foi parcialmente destruído pelo fogo, mas facilmente poderia ter sido restaurado, tombado e virado patrimônio histórico, o que seria um bem a mais para nossa cidade.
PRAÇA DO AVIÃO – 2014. Hoje, a Praça do Avião seria bem mais bonita com a presença do antigo prédio da Prefeitura.
CINE RIO NEGRINHO. Construído no final da década de 40, funcionou por muitos anos oferecendo bons filmes ao público. Fechou por falta de público depois que a TV entrou nos lares, então, imperou a comodidade de ver filmes no sofá dentro de casa e sem pagar ingresso.
ATUALMENTE (2014) LOJAS SALFER NO LUGAR DO CINE.
FINAL DA RUA JORGE ZÍPPERER, PRÓXIMO À VIA FÉRREA. Compare esta fotografia, tirada no início da década de 70, de cima dos andaimes da torre da Igreja Matriz, com a seguinte em 2014. Nenhuma das casas antigas ficou de pé.
O MESMO TRECHO DA RUA JORGE ZÍPPERER, 2014. 

PROCISSÃO PASSANDO NA PONTE SOBRE O RIO NEGRINHO NO CENTRO DA CIDADE EM 1938. Que sonho se esta ponte fosse conservada ou reconstruída tal como era e uma nova construída ao lado dela para acompanhar a mudança dos tempos, tal como aconteceu em Florianópolis com a Ponte Hercílio Luz que foi preservada e está sendo toda restaurada.
PONTE DA MATRIZ, HOJE (2014). 

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Rio Negrinho não tem o costume cultural de preservar construções históricas através de tombamento, enquanto que em São Bento do Sul há pelo menos quarenta prédios e monumentos tombados, restaurados e conservados. Mesmo assim, é muito bom morar aqui e cada cidadão deve fazer com que sua residência, praças e monumentos fiquem sempre bonitos e bem conservados.
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

terça-feira, 3 de março de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (48)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 28/11/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

DIVERSIDADE!

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. DIVERSIDADE. Ao analisarmos o panorama cultural de Rio Negrinho constatamos que a diversidade da nossa cultura, resultado das correntes migratórias que aqui chegaram, aliada ao fato desses povos ocuparem áreas específicas dentro da nossa também diversificada Geografia, propiciou a formação de regiões com identidade cultural própria. Por exemplo: Colônia Olsen é bem diferente de Rio dos Bugres; Colônia Miranda é diferente de Serro Azul; a cidade de Rio Negrinho é muito diferente do Distrito de Volta Grande, isso tudo considerando os aspectos sócio-culturais, econômicos e geográficos.

IGREJA SÃO PEDRO EM COLÔNIA OLSEN, RIO NEGRINHO, SC.-1975. O sucesso alcançado pelo imigrante através do seu trabalho em condições favoráveis de solo, clima e até de paisagens - muitas vezes idênticas as da sua terra natal – propiciou um progresso sistemático, em muitos lugares sem rupturas com o passado e que deveria ser conservado a qualquer custo. Idéias, lugares e povos diferentes levam às diferentes ações. Isto, também acontece numa região toda. Assim o rico Patrimônio histórico-cultural do imigrante em Rio Negrinho e região não é resultado de apogeu e decadência de ciclos econômicos, como também não é a sobra de crescimento desordenado da cidade ou de êxodo rural. Veja como são diferentes as construções nas cidades colonizadas e construídas por diferentes povos. As fotografias contam que cada povo através dos seus costumes, tradições e construções, nos deixou a lembrança viva do lugar de onde veio (Europa). 
IGREJA ENXAIMEL, BENEDITO NOVO, SC.
PRIMEIRA IGREJA CATÓLICA E PRIMEIRA ESCOLA DE RIO NEGRINHO. A escola foi derrubada pelo tornado de 1932. No lugar da igreja de madeira foi construída a atual Igreja Matriz Santo Antonio.
SEGUNDA IGREJA CATÓLICA DE RIO NEGRINHO. A foto mostra o levantamento da Cruz das Santas Missões em 1950. A torre nesta igreja, posteriormente erigida (atual),  descaracterizou seu estilo original.
RIO NEGRINHO NO INÍCIO. Pena que, no transcorrer do desenvolvimento, o Patrimônio deixado pelo imigrante esteja, pouco a pouco, desaparecendo; é lastimável que o progresso não conviva de mãos dadas com as tradições expressas através da arquitetura, da arte, do folclore, do artesanato, das atividades agrícolas e industriais e até no modo de falar do imigrante alemão, do italiano e do polonês. Dentre tantos dissabores sócio-culturais, podemos citar, na área da arquitetura, a demolição de muitas construções que ricamente contariam boa parte da História de Rio Negrinho, como o prédio da Prefeitura na Praça do Avião, a belíssima casa do Dentista Klaumann, a grande e arredondada construção da extinta Móveis Cimo e por muito pouco também a chaminé da Cimo não foi derrubada. Além destas, outras, como o Salão Lampe e a sede da Sociedade Esportiva Ipiranga, que foram consumidas pelo fogo, não mais existem. Quando estas construções vieram abaixo, ouviu-se muito o lamento das pessoas: “que pena!”. Veja um exemplo da força da cultura tradicional de um povo mais culto. No Rio de Janeiro, quando a Avenida Rio Branco estava sendo aberta, já estava programada a demolição da Igreja Candelária, mas o povo protestou energicamente, assim a avenida parou de ser construída exatamente no início do pátio da igreja. Por causa do amor à preservação a grandiosa construção ainda continua lá, em frente à Praça XV e é orgulho do povo carioca. Não é o que vemos acontecer em Rio Negrinho. Basta alguém abrir a boca, alegando qualquer motivo, ás vezes fútil, para que a extinção, remoção ou demolição de um bem patrimonial seja praticada sem pesar na balança o crime contra a herança que nossos antepassados nos deixaram. Isto aconteceu muitas vezes em nossa cidade: construções e peças que justificariam plenamente a preservação histórica foram destruídas, modificadas ou consumidas. 
EDIFICAÇÕES EM MADEIRA DE IMIGRANTES ITALIANOS, EM VIDEIRA, SC. Não só em Rio Negrinho são praticados atos “modernistas” frontalmente contra a preservação da cultura de um povo. Veja o exemplo de Mafra. A linda igreja católica no alto da cidade foi demolida por “progressistas” e, apesar dos protestos populares, no lugar dela construíram um templo no mínimo sem graça. A antiga construção era linda!
CASA DE IMIGRANTES POLONESES EM ITAIÓPOLIS, SC. Ainda hoje existem construções como estas em Itaiópolis, bem conservadas, contando a história da luta de um povo que veio colonizar aquele belo trecho de Santa Catarina. Ali, também, é um reduto de descendentes ucranianos que conservam suas tradições, costumes e língua.
CASA DE IMIGRANTES ALEMÃES EM BLUMENAU, SC. Voltando ao tema Diversidades, podemos citar alguns fatores que as determinam:  o clima e a Geografia do lugar – morros, rios e planícies – levam aos diferentes tipos de construções; as facilidades ou dificuldades físicas do solo proporciona esta ou aquela atividade econômica, como o feitio de roças num lugar, o desenvolvimento de fábricas noutro lugar, a construção de cidades em outro; lugares com paisagens bonitas e específicas estimulam o turismo.
CONSTRUÇÃO LUSO-BRASILEIRA DE MEADOS DO SÉCULO XIX, EM LAGUNA, SC.


CONSIDERAÇÕES FINAIS. Nós somos a herança dos nossos antepassados, caberá a nós selecionarmos o que de melhor existe e somarmos a isso a nossa contribuição para as gerações futuras. Na próxima edição mostraremos algumas edificações que, por força cultural e patrimonial, não poderiam ter sido extintas em Rio Negrinho.
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

domingo, 1 de março de 2015

RIO NEGRINHO: COMO ERAM REALIZADOS OS FUNERAIS E OS SERVIÇOS DE CEMITÉRIOS AO LONGOS DOS TEMPOS!

Nota do Blog: O presente artigo é fruto de conversas mantidas com o jornalista Douglas Dias, que buscava as origens do carro fúnebre, que foi utilizado por mais de 3 décadas, em nossa cidade. Para elaboração do presente artigo foram entrevistados: Afonso Weiss, 82 anos, aposentado, morador da rua Jorge Lacerda, em Rio Negrinho; Ivo Antonio Liebl, empresário, morador do bairro no Bairro São Rafael; Reinaldo Treml, empresário, 76 anos, natural de São Bento do Sul, e morador de nossa cidade, desde 1967; Izilda Treml, natural de Canoinhas, moradora de Rio Negrinho, desde 1967; Adalberto Eurico Pruess (Bubi), músico, 70 anos; Humberto Piccinini, representante comercial, morador no bairro São Rafael; e, Bibi Weick, fotógrafo; as fotos do carro fúnebre são de autoria do jornalista Douglas Dias, a quem agradecemos.

Reinaldo Treml fundador e proprietário da primeira funerária de Rio Negrinho, a partir de 1972 (Foto: acervo do autor do Blog)
Izilda Treml, fundadora e proprietária da primeira empresa funerária de Rio Negrinho, a partir de 1972 (Foto: acervo do autor do Blog)
Afonso Weiss, 82 anos, mecânico aposentado e músico (Foto: acervo do autor do Blog)
Introdução
Diz um velho ditado que “a única certeza que temos na vida é a morte”. Com a vinda dos primeiros moradores de Rio Negrinho, ainda no final do século XIX até a formação da Vila de Rio Negrinho, a partir de 1910, os serviços funerários e de cemitério foram sendo implantados e se aprimorando ao longo destes mais de 150 anos. O presente estudo, ainda de caráter preliminar, certamente será enriquecido com outras informações, após a presente publicação.

Cemitérios
O sepultamento dos falecidos na região de Rio Negrinho, a partir de 1875, certamente eram realizados no Cemitério do Lençol. Neste local foram enterrados os falecidos até julho de 1923.
Naquela data foi construído o primeiro cemitério da cidade de Rio Negrinho, num terreno doado pelo pioneiro José Brey e pela empresa Ehrl & Cia. Desde setembro de 1999 este cemitério é denominado “Jardim da Saudade”.
Ele está localizado rua Pedro Simões de Oliveira, e o primeiro sepultamento se deu com a morte de Max Raschke, realizado em 03/07/1923.
Anos mais tarde, em 1981, por iniciativa do então prefeito Paulo Beckert, foi construído o Cemitério Municipal Parque da Colina.
Outros cemitérios se localizam em nosso município de cunho particular, como o de Colônia Olsen, Queimados e Caunal, implantados em datas ainda não devidamente levantadas.
As sepulturas seguiam a moda antiga, onde as sepulturas deviam ser abertas com 7 palmos, equivalente a 1,50 metros.
Um dos mais lembrados coveiros do Cemitério Jardim da Saudade é Alfredo Sandri, gaúcho de Passo Fundo, falecido com 68 anos, em 02/10/1966. 

Carro Fúnebre e Enterro
O translado dos defuntos nos primeiros tempos era feito pela alça das urnas funerárias ou em carroças puxadas por cavalos, improvisadas para esta finalidade.
O que sabemos é que a primeira carroça fúnebre em Rio Negrinho foi construída em 1954, por José Zipperer Sobrinho, contratado pela Prefeitura Municipal, recém desmembrada de São Bento do Sul.
José Zipperer Sobrinho e sua ferraria então situada à rua D. Pio de Freitas, esquina com a rua Jorge Lacerda (Foto: acervo de Alois Augustin)
José Zipperer Sobrinho tinha como de profissão ferreiro e era fabricante de carroças. Ele era natural de São Bento do Sul, casado com Elisabeth Brey, filha do pioneiro José Brey, falecido com 56 anos de idade, em 28/11/1954, deixando na oportunidade 8 filhos. A sua morte causou grande comoção na cidade.
Muitos ainda lembram que este carro fúnebre, ficou muito tempo estacionado na rua Carlos Weber, ao lado do antigo prédio da antiga Delegacia de Polícia e mais tarde no galpão, edificado no terreno do Sindicato Rural, no bairro Bela Vista, onde está localizado o atual prédio da Polícia Militar e do Bombeiros. Mais tarde, ficou sob a guarda da família de Engelberto Furst e seus descendentes, onde permanece até a presente data.
Um dos condutores do carro fúnebre ao longo de muitos anos foi Engelberto Furst, seguido mais tarde neste trabalho pelos seus filhos Pedro e Leo.
Na prestação dos serviços os condutores do carro fúnebre, eram contratados diretamente pelos familiares do falecido.
Enterro do agricultor Jorge Ruckl, ocorrido em 25/07/1957 (Foto: acervo de Leoni e Ernesto Tureck)
O serviço de transporte funerário através da carroça fúnebre foi sendo abandonado gradativamente pelo uso do transporte funerário automotivo, a partir de 1972, com a criação da primeira empresa funerária.
Os enterros lembrados como os maiores realizados com o uso do carro fúnebre dos últimos anos foi o do empresário Martim Zipperer, ocorrido em 24/11/1971 e o Evaristo Stoeberl, ocorrido em 12/11/1995.
Martin Zipperer, empresário e um dos diretores da antiga Móveis Cimo (Foto: acervo do Arquivo Municipal de Rio Negrinho)
Aliás, segundo informações, o enterro do empresário e tradicionalista Evaristo Stoeberl foi o último realizado pelo carro fúnebre.
A cor preta predominava, dos cavalos ornamentados com penachos ou fitas pretas. O condutor com seu terno escuro, e até a própria carroça toda, ornamentada tendo como ornamento principal uma cruz no teto.
E como em outras cidades, como Blumenau, São Bento do Sul e Pomerode, possuíam também seus carros fúnebres, no mesmo estilo, presume-se que tenham tido inspiração europeia.
O séquito do enterro era formado primeiro do padre ou do pastor, seguido dos familiares mais próximos, e logo após, pelos amigos e conhecidos.
Engelberto Furst, agricultor e carroceiro, era natural de Rio Negrinho, nascido em 07/11/1905, faleceu nesta cidade, com 84 anos, em 15/07/1990, casado com Rosa Anton, deixou 11 filhos.
Engelberto e Rosa Furst, ladeados pelos 11 filhos, em 1949 (Foto: acervo de Laércio Furst)
Carro Fúnebre Preservado
Atualmente, raríssimos exemplares ainda existem, em São Bento do Sul, a carroça fúnebre que serviu a cidade por muitos anos foi restaurada e hoje está em exposição permanente em frente ao cemitério municipal.
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Carro Fúnebre de Rio Negrinho, sob a guarda da família de Léo Furst, na localidade de Rio Casa de Pedra (Foto: acervo do jornalista Douglas Dias)
Já em Rio Negrinho, a família de Füerst tem preservado a carroça que serviu por décadas para transporte dos falecidos.
Laercio Fürst, 34 anos, conta que o veículo está sob a guarda da família há décadas, primeiro ficou aos cuidados de seu avô, de um tio, depois, quando este foi morar em outra cidade, seu pai, Leo Fürst, assumiu o trabalho.
“Devido uma doença degenerativa meu pai não pode mais conversar, e meu tio já é falecido, com isso, boa parte desta história não possa ser resgatada, nossa expectativa é que alguém que leia esta reportagem possa contribuir com alguma história e fotos desta época.”
Leo Furst, agricultor e tradicionalista, por muitos anos um dos condutores do carro fúnebre em Rio Negrinho (Foto: acervo da família)
Judita Maria Furst, esposa de Leo (Foto: acervo do autor do Blog)

Laércio Furst, filho de Leo (Foto: acervo do autor do Blog)
Empresa Funerária e Transporte Funerário Automotivo
Em 1967, Reinaldo Treml e sua esposa Izilda, oriundos de São Bento do Sul, se estabeleceram em Rio Negrinho, e criaram uma marmoraria. Em 1972, Reinaldo aconselhado pelos empresários Alberto Franz Muller e Evaristo Stoeberl, criou a empresa Funerária Nossa Senhora de Fátima, a primeira neste ramo em Rio Negrinho, que passou a prestar os serviços de fornecimento de urnas e o transporte funerário automotivo, até então inédito na cidade.
Segundo Reinaldo Treml, o primeiro veículo motorizado no transporte funerário foi uma Kombi e posteriormente por uma Caravan.
Reinaldo Treml seguiu na direção da empresa Funerária Nossa Senhora de Fátima até 1989, quando transferiu para outros proprietários.

Urnas Mortuárias
As urnas funerárias até 1972, antes do estabelecimento da primeira empresa funerária, eram fabricadas na empresa de Martin Schauz e posteriormente pela fábrica de Alberto Franz Muller, apelidado carinhosamente de Zé do Caixão, situado à rua Roberto Lampe.
A partir daquela data, Alberto Franz Muller e outros sócios fundaram a Móveis Muller, atual Milamóveis, situada no bairro Indl. Norte, abandonando este ramo de serviço.
As urnas funerárias após 1972, após o estabelecimento da primeira empresa funerária, começaram a serem adquiridas de empresas especializadas de outros municípios.
A própria Prefeitura fabricou durante muitos anos urnas mortuárias destinado aos menos favorecidos, através dos seus servidores Mauro Rodrigues, Sebastião Cavalheiro, Paulo Anton e Manoel Pereira.
Enterro realizado em 1982, saído da Igreja São Pedro de Colônia Olsen, rumo ao cemitério daquela localidade (Foto: acervo de Laércio Furst)
Capela Mortuária
Os velórios na cidade até a inauguração, em 02/11/1988, pelo prefeito Dr. Romeu Ferreira de Albuquerque da Capela Municipal Mortuária da Ressureição, eram realizadas nas moradas dos familiares dos mortos, e a partir daquela data, gradativamente aquele espaço foi sendo utilizado pela comunidade.
Atualmente, quase 100% dos velórios são realizados nas Capelas Mortuárias mantidas pela municipalidade.

Luto
Atualmente os sinais externos de luto por falecimento dos parentes mortos estão praticamente esquecidos.
Alguns sinais de luto eram externados por fita preta no braço, ou ainda uma pequena tira preta de pano na lapela. Muitas das senhoras enlutadas se utilizavam de saias ou vestidos pretos.
O luto era guardado por um ano e por alguns meses, dependendo do grau de parentesco.

Sinos
Por quem os sinos dobram? Rio Negrinho, sendo uma cidade ainda pequena, era comum, o falecimento ser anunciado pela batidas do sino da Igreja Matriz, nas mãos de Ignácio Gonchorowki ou do Leonardo Szostak, carinhosamente conhecido por Chico Bobo. Ignácio Gonchorowki e Leonardo Szostak eram requisitados e se prontificavam gratuitamente a fazer este trabalho pois moravam bem próximos da Igreja Matriz.
Com as batidas do sino da Igreja as pessoas se certificavam de quem havia falecido através do anúncio pelos familiares na Rádio Rio Negrinho, então a única existente.
Como quase 100% dos velórios eram realizados nas residências, os católicos após o velório transladavam o corpo até Igreja Matriz Santo Antonio, onde era feito as rezas próprias para o evento, e em seguida levado ao Cemitério Municipal. Tanto na chegada como na saída do funeral da Igreja os sinos eram repicados.
Este costume tradicional, atualmente é pouco usual, pois as rezas aos mortos são realizadas nas próprias Capelas Mortuárias e após são transladados diretamente aos cemitérios.
O sineiro Leonardo Szostak, mais conhecido por Chico Bobo, era natural de Itaiópolis, morou por anos em Rio Negrinho, acolhido na generosidade da sra. Angela Mallon, faleceu aos 69 anos, em 15/09/1987.
O sineiro Ignácio Gonchorowki, era natural de São Bento do Sul, seleiro de profissão, faleceu aos 88 anos, em 24/12/1991.
Enterro realizado na década de 1980, conduzido por Léo Furst, na esquina das ruas Arnaldo Almeira Oliveira e Luiz Scholz (Foto: acervo de Laércio Furst)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (47)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 21/11/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. Na edição passada descrevemos a viagem divertida e desastrada da piazada da Rua do Sapo à Barra Velha no começo da década de 70. Naquele tempo as coisas eram muito diferentes de hoje. Algumas eram mais fáceis, outras mais difíceis, como para viajar, por exemplo. Antes, quando não havia asfalto, nem para Joinville, nem para Corupá, uma viagem de ônibus até Joinville levava horas pela rodovia de terra e, quando chovia, era um caos. Muitos veículos encalhavam sendo necessário ser puxados por tratores ou parelhas de cavalos e isso levava uma boa fatia do dia. Dependendo da quantidade de chuva muitos trechos ficavam totalmente intransitáveis não sendo possível viajar nesses dias.

CAMINHÕES ENCALHADOS NA ANTIGA ESTRADA DONA FRANCISCA, ENTRE SÃO BENTO DO SUL E JOINVILLE. Imagine-se preso na lama no meio do mato e faça os cálculos!
UMA VIAGEM DE IDA E VOLTA DE CARROÇÃO ATÉ JOINVILLE DEMORAVA UM MÊS. Pessoa doente em estado grave, sendo levada à Joinville, morria na viagem. Hoje, tudo é bem mais fácil: rodovias asfaltadas, terceira faixa facilitando a movimentação dos veículos leves, BR 101 duplicada, postos de combustíveis à beira da estrada, etc. Para mostrar as dificuldades daquela época (1956), iniciamos na semana passada uma matéria sobre funcionários do Grêmio da Móveis Cimo de Curitiba que planejavam há muito tempo conhecer o Rio de Janeiro. Hoje estenderemos um pouco mais o texto referente à matéria.
CONSTRUÇÃO DA IMPERIAL ESTRADA DONA FRANCISCA. Imagine o esforço e sofrimento dos nossos antepassados para abrir uma estrada. A maioria dos trabalhos pesados era executada a muque. Os trabalhadores deviam ser fortes. Dormiam no mato, enfrentavam chuva, calor e frio, mosquitos e até feras perigosas além de serpentes peçonhentas, longe da família por longo tempo, às vezes sem comida suficiente, doenças e tantas outras dificuldades que as pessoas do mundo de hoje nem imaginam. Os avanços e as facilidades, dos quais hoje usufruímos, é dívida nossa àqueles heróis incansáveis e determinados. 
RIO NEGRINHO ERA ASSIM. Nesta foto, de Rio Negrinho nos primórdios, podemos identificar o antigo prédio da Intendência que mais tarde virou Prefeitura onde hoje é a Praça do Avião, e um amontoado de casas. Nota: as fotos 1, 2, 3 e 4 foram extraídas do livro História de Rio Negrinho, do Dr. José Kormann.
EXCURSÃO AO RIO DE JANEIRO. O início do texto diz: “O Grêmio Móveis Cimo de Curitiba levou no mês de Setembro seus associados ao Rio de Janeiro, concretizando assim, um velho e acalentado sonho, da Diretoria em exercício. A idéia desse magnífico passeio começou a despontar há muito tempo e foi se assoberbando aos olhos de todos, mesmo diante da indiferença dos mais céticos que julgavam um sonho grande demais para se tornar realidade. Mas, eis que em fins de Agosto um movimento diferente principiou a empolgar os “gremistas” e uma agitação nova sentiu-se no ar, como feliz expectativa de grandes projetos, em vias de transformarem-se em esplêndida realidade. De fato, os primeiros passos concretos estavam sendo dados, os primeiros entendimentos estavam sendo levados a efeito, em vista da época oportuna que se oferecia em princípios de Setembro. Depois de demoradas conversações com as diferentes empresas de transporte aéreo, ficou decidido optar pela Real-Aerovias e assim foi fixada a partida para o dia 3 de Setembro, às 15 horas. As vinte pessoas que compunham o grupo embarcaram no Aeroporto Afonso Pena, num sábado frio e nebuloso, que contrastava com o calor e entusiasmo que transparecia no semblante de cada um. A viagem transcorreu calma e às 18:30hs um rendilhado de luzes se descortinava aos atônitos olhos dos excursionistas e as emoções se sucediam a cada passo, enquanto Guanabara fugia rápida e a aterrissagem se procedia...”. Percebe-se, no texto, a ansiedade e a inquietação do grupo de viajantes durante o desenrolar do processo na tentativa de conseguir realizar o sonho maravilhoso, tal era a dificuldade para conseguir tal intento! 
TURMA DA SAPOLÂNDIA NA PRAIA DE BARRA VELHA EM 1971.  Neste local, ainda hoje há barcos de pescadores. Pois bem, voltemos à Barra Velha, em 1971 (veja a foto), quando nosso querido trapalhão Juvelino transformou uma de suas peripécias em tragédia que quase lhe foi fatal, por causa de um pequeno descuido.
JUVELINO SENDO SUGADO PELA FURIOSA ONDA. As ondas batiam com força na pedra. O mar recuava, e quando voltava a onda da frente, empurrada pelas que vinham atrás, produzia essa explosão de água que vemos na foto. Juvelino, depois de ter recebido dentaduras novas (as velhas ele perdeu nas ondas da praia), mudou de idéia e resolveu voltar mais uma vez para a praia. Estávamos apreciando a fúria das ondas nas pedras, Juvelino encheu-se de coragem e pediu que o fotografassem em cima da pedra (a da fotografia) quando uma onda explodisse. Assim ele apareceria na foto em frente ao turbilhão de água. Na verdade, se tudo desse certo, a fotografia ficaria espetacular! Nosso herói postou-se de pé em cima da rocha lisa esperando uma grande onda. Lá veio uma, bem grande, e quando ela explodiu a fotografia foi clicada, mas o inesperado aconteceu: Juvelino foi engolido por ela e desapareceu atrás da pedra. Em questão de segundo o repuxo do mar o levou sem que ninguém pudesse ajudá-lo, pois tudo aconteceu num piscar de olhos! A violência da água, no vai e vem, o jogava contra as pedras, prensando-o e produzindo muitos ferimentos graves. Agoniados, pensamos que tivesse morrido! Na fotografia original, Juvelino não aparece, pois já havia sido levado para o mar, mas fizemos uma montagem com a fotografia verdadeira para que se possa ver o que aconteceu. Todos os que sabiam nadar correram até o local do acidente, fizeram uma corrente, os de trás seguravam os pés dos da frente e, com muito cuidado e esforço, o resgataram todo cortado da cabeça aos pés, sangrando muito. Puxa! O cara foi tão sortudo que não quebrou nem um osso do corpo! Talvez, se não fosse imediatamente socorrido, não sairia vivo dali! Imediatamente foi levado ao hospital onde passou por uma série de cuidados e, teve que ser parcialmente anestesiado para limpar as feridas e para que os curativos fossem aplicados, levou uns trinta pontos pelo corpo. O coitado saiu do hospital mais enfaixado que múmia do Egito! Teve que ficar de molho mais de mês em casa e tomar um caminhão de remédios até sarar! Mais tarde, perguntamos-lhe como, no incidente, não perdeu as dentaduras no agito do mar e ele nos garantiu que desta vez apertou bem os lábios para que as dentaduras não lhes escapassem. Essa é demais! Até parece que estava mais preocupado com a prótese dentária do que com a própria vida! 

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Depois de muitos anos passados após o fatídico passeio, conversando com Juvelino, percebi que ele não guardou nenhum trauma do trágico acidente no qual quase perdeu a vida, e até acha graça de quando pensou que o mar era uma grande enchente, de quando montou guarda das suas lingüiças, de quando ficou entalado na cerca de ripas e de quando perdeu as dentaduras, o boné e os óculos nas ondas da praia, mas guardou as boas lembranças dos amigos e dos dias que passou com eles. Assim deveríamos ser, como Juvelino: viver de boas coisas e superar todo mal que nos aflige, sempre olhando para o futuro! 
Por hoje é só! Obrigado! Um grande abraço de Celso e outro de Mariana! Fique com Mamãe e Papai do Céu!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

UM OLHAR SOBRE RIO NEGRINHO! (44)

Nota do Blog: A presente coluna “Um Olhar Sobre Rio Negrinho”, de autoria dos Professores Celso Crispim Carvalho e Mariana Carvalho, foi publicada originalmente em 31/10/2014, no "Jornal do Povo" de Rio Negrinho, a quem agradecemos.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS. Rio Negrinho, até chegar a ser o que é hoje, passou por várias fases boas e ruins. Mas, de fase em fase, progrediu, mudou, evoluiu e, nessa evolução, apareceram muitos benefícios que fazem o conforto dos seus habitantes. Por exemplo, as ruas antes eram de terra, barro, pó e desníveis no chão às vezes complicavam a vida das pessoas, como quando iam à missa, chegavam na igreja com os sapatos cheios de barro. Há relatos de pessoas que só calçavam os sapatos na porta da igreja de modo a mantê-los limpos durante as cerimônias; Hoje, quase todas as ruas tem asfalto. Antes ia-se para escola a pé, no frio e na chuva e algumas delas eram distantes da casa do aluno; Hoje há ônibus escolares, os pais tem automóvel e em cada bairro há pelo menos uma escola. Antes, o atendimento de saúde resumia-se a um único hospital e uma farmácia no centro da cidade; Hoje, há um grande hospital e postos de saúde em todos os bairros. Obviamente, o progresso acontece paralelo ao aumento da população, mas a evolução nem sempre trás benefícios, como por exemplo, o trânsito, principalmente nas ruas centrais, que está se tornando complicado para os usuários de veículos e para os transeuntes. A cidade de Rio Negrinho atual está irreconhecível para quem a viu há 50 anos, salvo em alguns pontos aqui e ali. Vejamos algumas fotos de antes e de hoje e façamos a idéia de como era a vida naqueles tempos. Aqui, a primeira foto mostrando a extinta Sociedade de Cantores.  

SOCIEDADE DE CANTORES. Esta casa, sita à rua Luiz Scholz, era o ponto de encontro da elite rionegrinhense. Aqui aconteciam bailes, apresentações teatrais e muitos outros eventos culturais e sociais. Enquanto que no Salão Lampe rolava os bailões, onde a massa popular se divertia, na Sociedade dos Cantores os bailes eram endereçados à alta sociedade da cidade. É claro que as pessoas mais simples podiam freqüentar o local, mas, em certas ocasiões, não o faziam porque não se sentiam à vontade no meio dos “ricos”. E foi nesse local que aconteceu o primeiro causo de hoje.

História nº 1. MAS QUE BARBARIDADE, TCHÊ! Lá pelos anos 50 e 60, não se passava um sábado sem um bom baile. Era sábado. O baile estava animado. Os cavalheiros educadamente convidavam as damas para a dança. A banda, escolhida a dedo, animava a festa com boas músicas. Tudo muito chique, as pessoas com trajes a rigor, falavam dos seus negócios, das suas empresas e das suas conquistas enquanto saboreavam um bom vinho em finas taças de cristal. Lá na rua passava um cavaleiro de Volta Grande, negociador de gado bovino, bailomaníaco de carteirinha assinada e vendo que lá dentro rolava um baile, pensou: “É hoje que eu forro a guaiaca!”. Não titubeou, amarrou seu cavalo no poste da rua e, sem saber do sistema social da cidade e que aquele era baile de sociedade, adentrou no recinto, inseriu-se no meio do pessoal, arranjou um lugar para sentar, pediu uma pinga e ficou observando tudo o que se passava. Ele, portando bombacha, camisa com lenço no pescoço, chapéu grande, bota de boiadeiro e facão na cinta, não estava vestido a caráter como todo mundo ali de terno e gravata. Era evidente o contraste entre o cavaleiro e os cavalheiros! Mas parece que não deu bola para este detalhe e tomava sua cachacinha com a maior tranqüilidade. Em certa altura do campeonato, viu lá num canto uma moça bonita, toda empererecada e sorridente, pensando que ela sorria para ele, pensou: “-Putcha lá vida, hoje eu vou lavá a égua!”. Encheu-se de coragem e resolveu tirá-la para dançar. Convidou-a: “Vamo se atracá nessa dança, dona?”. Ela, meio sem jeito, assustada e surpresa, aceitou o convite, pois achou que seria perigoso “dar balaio” para um sujeito bem tosco e estranho como aquele.

RUA LUIZ SCHOLZ NA DÉCADA DE 60. Os números na fotografia facilitam ao leitor a localização do Salão da Sociedade dos Cantores. Nº1- local do Salão; nº2- esquina da rua Luiz Scholz com a Travessa Domingos Ferreira de Lima; nº3 - canto do muro do Colégio São José. Detalhes: rua de terra, mão dupla, dois semáforos instalados, um em cada lado da esquina, poucos trechos dos passeios calçados, automóveis estacionados em qualquer lado da via sem problema nenhum, pois pouca gente possuía veículo automotor, por isso vemos poucas garagens, muros com “bicos” de 90° (ângulos retos) nas confluências das ruas, exceto um deles nesta rua. Hoje, os mesmos devem ser arredondados; fios de eletricidade instalados diretamente dos postes às casas, algumas cercas de madeira. Mesmo no centro da cidade ainda se faziam hortas nos quintais das casas.
A MESMA ESQUINA DA RUA LUIZ SCHOLZ COM A TRAVESSA DOMINGOS FERREIRA DE LIMA - 2014. Tudo mudado! O salão da Sociedade dos Cantores ficava lá onde está estacionado o ônibus. O salão foi destruído pelo fogo e no lugar edificou-se outra construção, onde funcionava o Banco do Brasil, que também foi consumida por incêndio e hoje o terreno está baldio. Veja a foto seguinte.
TERRENO BALDIO ONDE ESTAVA A SOCIEDADE DOS CANTORES. Este, onde está o ônibus, e o terreno ao lado, onde havia um hotel, estão baldios no centro da cidade.
CENTRO DA CIDADE NA DÉCADA DE 50. Esta foto obtida do livro História de Rio Negrinho, do Dr. José Kormann, página 122, nos mostra bem a realidade de Rio Negrinho contrastando com a de hoje. Tudo diferente!  
O MESMO LUGAR NO CENTRO DA CIDADE – 2014. Que mudança em quase setenta anos! Hoje, se uma carroça circulasse pelo centro da cidade seria motivo de matéria de jornal e, além do espanto das pessoas, causaria um engarrafamento sem precedentes. Já pensou se os cavalos, assustados pelos buzinaços dos automóveis, disparassem no meio do trânsito, ultrapassando carros e caminhões. Imagine a situação do carroceiro, desesperado e sem controle sobre os animais...! –“Ôôôôaa, ôôaa, desgraçados! Se eu sair vivo dessa, prometo dar um saco de milho prá cada um de vocês!”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS. Há muitas histórias para serem contadas enquanto comparamos o passado com o presente. As fotos facilitam a imaginação. Mas, você consegue imaginar Rio Negrinho daqui a cinqüenta anos?
Por hoje é só! Obrigado! Um forte abraço de Celso e outro de Mariana. Fique com Mamãe e Papai do céu!