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sábado, 26 de junho de 2021

NOSSA HISTÓRIA: ORIGEM DA DENOMINAÇÃO DO BAIRRO CRUZEIRO, EM NOSSA CIDADE

Nota do Blog: Apresentamos o texto publicado originalmente na coluna "Nossa História" em 25/06/2021, na edição nº 5.378, pág. 4, do Jornal Perfil Multi de Rio Negrinho. O Administrador deste Blog, a partir de 07/08/2020, passou a integrar a equipe de colaboradores daquele jornal, na apresentação de uma coluna semanal de abordagem de aspectos históricos do nosso município.

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Um de nossos bairros tem a denominação de Cruzeiro, situado na região sul de nossa cidade. Esse texto tem por base em pesquisas do autor da coluna.

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Mapa do território do Bairro Cruzeiro (Foto: Redes Sociais)

Bairro Cruzeiro – Oficialmente a denominação dos bairros da cidade de Rio Negrinho ocorreu apenas em 1° de dezembro de 1982, através da Lei n° 1259/82. Nela foram denominados 15 bairros, assim descritos: Centro, Vila Nova, Bela Vista, Ceramarte, Alegre, Cruzeiro, Vista Alegre, Quitandinha, Pinheirinho, Campo Lençol, São Pedro, Barro Preto, Industrial Norte, Industrial Sul e São Rafael.

Na sua grande maioria a denominação escolhidas foi respeitando-se os nomes comumente usados em cada região da cidade, a exemplo dos bairros Centro, Vila Nova, Bela Vista, Ceramarte, Alegre, Cruzeiro, Vista Alegre, Quitandinha, Pinheirinho, Campo Lençol, São Pedro, Barro Preto e São Rafael. As denominações novas foram Industrial Norte e Industrial Sul.

Até 1982 duas regiões na cidade de Rio Negrinho eram conhecidas como Pinheirinho, uma onde é o atual bairro Cruzeiro e a outra onde é localizado o atual bairro Pinheirinho.

Para distinguir estas duas regiões, com a Lei 1259/1982 definiu onde seria o bairro Cruzeiro e onde seria o Bairro Pinheirinho.

Imagem parcial de Rio Negrinho, em meados de 1960, a partir do alto do Cruzeiro, origem da denominação do bairro

Assim ficou denominado o nosso Bairro como Cruzeiro, em homenagem ao Cruzeiro (Cruz) de madeira implantado como marco das Santas Missões realizadas em nossa cidade, que foram terminadas em fevereiro de 1959. Este Cruzeiro de madeira foi substituído por um de concreto em 2007. A implantação do primeiro cruzeiro em 1959 e de sua substituição em 2007 será objeto de futura matéria.

Loteamento Campo Pinheirinho - Como mencionamos anteriormente, o atual bairro Cruzeiro, antes da denominação oficial era conhecido como Pinheirinho. De onde teria surgido este nome? É muito difícil encontrar a evocação desta denominação, mas é sintomático esta denominação num ato de aprovação em maio de 1978 do loteamento de propriedade de Eugenio Harald Olsen – Ari Olsen, situado entre as ruas Otto Weiss, Frederico Lampe, Roberto Buchmann e Luiz Neidert, que foi denominado como Loteamento “Campo Pinheirinho”. De fato, ainda, lembramos ali situado o campo de futebol do Pinheirinho, de forma meio agamelada, que certamente foi o pontapé inicial da Associação Atlética Pinheirinho. Este clube reiniciou as suas atividades, por volta de 1967, com Elcio Pilz, Mario Stiegler e Dirceu Maia de Lima. Logo após o início das atividades do clube Alfredo Pilz assumiu o seu comando permanecendo nesta função durante muitos anos.

Time de futebol da Associação Atlética Pinheirinho, onde se vê Alfredo Pilz, em pé, penúltimo da esq. p/ direita (Foto: acervo Mário Stiegler)

Ainda em outubro de 1982, outro loteamento de propriedade de Walfrido Hacke, situado à Rua Adolfo Olsen, também evocava como situado no Bairro Pinheirinho.

Ocupação – A via principal de acesso ao Bairro Cruzeiro é pela Rua Adolfo Olsen que foi construída como um dos acessos aos moradores da localidade do Rio do Salto ao primeiro centro comercial de Rio Negrinho, situado na região próxima ao atual Casarão Olsen.

É bom lembrarmos que setembro de 1933 foi inaugurada o Grupo Escolar Marta Tavares, no bairro Cruzeiro, e, próximo ao cruzeiro, foi inaugurada em 1928 a primeira Capela Luterana.

Na próxima edição vamos continuar a publicação de aspectos da história de nossa terra! Obrigado!

sexta-feira, 25 de junho de 2021

NOSSA HISTÓRIA: VISITA DA IMAGEM DE NOSSA SENHORA APARECIDA A RIO NEGRINHO EM ABRIL DE 1966

Nota do Blog: Apresentamos o texto publicado originalmente na coluna "Nossa História" em 18/06/2021, na edição nº 5.377, pág. 4, do Jornal Perfil Multi de Rio Negrinho. O Administrador deste Blog, a partir de 07/08/2020, passou a integrar a equipe de colaboradores daquele jornal, na apresentação de uma coluna semanal de abordagem de aspectos históricos do nosso município. 

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A devoção a Nossa Senhora, mãe de Jesus Cristo, como mediadora universal de todas as graças, é especial para nós cristãos. Esse costume de recorrer a Santíssima Virgem vem desde os primórdios da Igreja até nossos dias. A invocação de Nossa Aparecida como padroeira oficial do Brasil ocorreu no 16 de julho de 1930, através de um decreto do Papa Pio XI. O ato apenas legitimou algo que os brasileiros já levavam no coração. Em 31 de maio de 1931, a imagem foi em romaria até o Rio de Janeiro, então capital federal, onde foi realizada uma Missa Solene na qual se oficializou o decreto papal.
 
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Como forma de comemorar o jubileu dos 250 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida por 3 pescadores no rio Paraíba do Sul, em São Paulo, em outubro de 1717, na cidade de Aparecida do Norte, foi realizada uma peregrinação nacional, festejado em 1967. A peregrinação era dirigida pelo arcebispo auxiliar de Aparecida, Dom Antonio Ferreira Macedo.


Aspectos da despedida em frente a Igreja Santo Antonio na visita da Imagem de Nossa Senhora Aparecida a Rio Negrinho, ocorrido em 20/04/1966


Entre 1966 e 1968, 1.300 localidades foram visitadas, durante mais de 500 dias, chegando a 23 arquidioceses, 174 dioceses e 8 prelazias. A etapa nacional ocorreu antes do Ano Jubilar, de 3 de maio de 1965 a 14 de dezembro de 1966. A segunda etapa, pós-Ano jubilar, foi de 29 de fevereiro a 30 de outubro de 1968 em caráter regional.


Rio Negrinho foi escolhida dentre as cidades catarinenses para receber a Sagrada Imagem, na 4ª Peregrinação, dentre as 152 localidades dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Aspectos da recepção da Imagem de Nossa Senhora Aparecida a Rio Negrinho, defronte a Igreja Santo Antonio, ocorrido em 20/04/1966

Assim se expressa o Padre Irineu Bertoldo Decker, então Pároco da Paróquia Santo Antonio, quando da visita da Imagem de Nossa Senhora Aparecida:

“20 DE ABRIL (DE 1966) – A Paróquia recebeu a visita da verdadeira imagem de N. Sª Aparecida do Santuário de Aparecida do Norte acompanhada por uma comitiva sob a chefia de Dom Antonio Macedo D.D. Arcebispo de Aparecida. A recepção revestiu-se de verdadeira apoteose graças a uma colaboração conjunta das autoridades e do povo. Uma interminável fila de carros e caminhões vinha acompanhando a Imagem desde a altura do Rio Preto até a matriz. A imagem permaneceu na matriz durante a virada do dia 20 para 21. Várias missas foram celebradas estando a igreja sempre tomada por numerosos fiéis”. (Texto extraído do Livro Tombo (pág. 39) da Igreja Matriz Santo Antônio).

Portanto, vindo de Mafra, a Imagem teve uma recepção ao final da tarde, permaneceu durante noite do dia 20 para 21 de abril de 1966 e seguiu rumo a São Bento do Sul. Um dos pontos altos da recepção da Imagem foi a entrega da chave da cidade pelo então prefeito municipal Vagemiro Jablonski.

Aspectos da visita da Imagem de Nossa Senhora Aparecida a Rio Negrinho, ocorrido em 20/04/1966, onde na entrada da Igreja Santo Antonio, se vê o Prefeito Vagemiro Jablonski, o bispo Dom Antonio Ferreira Macedo (com as chaves da cidade), o padre Teobaldo Blume e o padre Irineu Bertoldo Decker


A comunidade de Vila Nova quando da construção de sua capela católica, em outubro de 1966, batizou-a com a denominação de Nossa Senhora Aparecida.

Na próxima edição vamos continuar a publicação de aspectos da história de nossa terra! Obrigado!

sábado, 12 de junho de 2021

NOSSA HISTÓRIA: ORIGEM DA DENOMINAÇÃO DO BAIRRO SÃO RAFAEL, EM NOSSA CIDADE

Nota do Blog: Apresentamos o texto publicado originalmente na coluna "Nossa História" em 11/06/2021, na edição nº 5.376, pág. 4, do Jornal Perfil Multi de Rio Negrinho. O Administrador deste Blog, a partir de 07/08/2020, passou a integrar a equipe de colaboradores daquele jornal, na apresentação de uma coluna semanal de abordagem de aspectos históricos do nosso município. Grande parte das imagens constantes da presente publicação não fizeram parte da publicação original, pela exiguidade do espaço da coluna do Jornal.

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Um de nossos bairros tem a denominação de São Rafael, situado na região sul de nossa cidade. Esse texto tem por base em entrevistas realizadas ao início de maio de 2014, com Everton Doerlitz, Marta Jantsch, Henrique Liebl, Luiz Schoeffel, Ivo Antonio Liebl e Evaldo Liebl, e de pesquisas do autor da coluna.

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São Rafael – Situado na região sul de nossa cidade de Rio Negrinho, o bairro São Rafael, é uma homenagem ao arcanjo, que é considerado o chefe dos anjos da guarda, com sua data comemorativa em 29 de Setembro.

Mapa do território do Bairro São Rafael (Foto: Redes Sociais)


Imagem da Igreja Cristo Rei (Foto: autor do Blog - 16/04/2014)

Imagem da Escola Municipal Profª Selma Teixeira Graboski (Foto: autor do Blog - 07/05/2014)


Imagem da Escola Municipal Profª Selma Teixeira Graboski (Foto: autor do Blog - 07/05/2014)

Imagem do Bairro São Rafael (Foto: autor do Blog - 07/05/2014)


Imagem do Bairro São Rafael (Foto: autor do Blog - 07/05/2014)


Imagem do Bairro São Rafael (Foto: autor do Blog - 07/05/2014)


Imagem do Bairro São Rafael (Foto: autor do Blog - 07/05/2014)


Na busca de informações, sobre a origem da denominação do bairro São Rafael, estrevistou-se, ao início de maio de 2014, alguns moradores daquele bairro, entre os quais destacamos Everton Doerlitz, Marta Jantsch, Henrique Liebl, Luiz Schoeffel, Ivo Antonio Liebl e Evaldo Liebl, que são unânimes que nunca tiveram notícias donde se origina esta homenagem naquele bairro a São Rafael.

Luiz Schoeffel, hoje com 89 anos, um dos mais antigos moradores do Bairro São Rafael (Foto: autor do Blog - 26/12/2014)


Evaldo Liebl, hoje de saudosa memória, então com 87 anos, era um dos mais antigos moradores do Bairro São Rafael (Foto: autor do Blog - 26/12/2014)


Ivo Antonio Liebl, empresário e pesquisador histórico, morador do Bairro São Rafael (Foto: autor do Blog - 26/12/2014)


Na entrevista com Luiz Schoeffel (83 anos), morador da rua Carlos Lampe, afirma que desde 1955, quando veio a residir nesse bairro, este já era conhecido por aquela denominação. Já Evaldo Liebl (87 anos), já não faz esta afirmação. Morador da rua São Rafael, esquina com a rua Carlos Lampe, comprou o seu lote em 1948, mas veio a residir por volta de 1951.

Porém, eles são unânimes que adquiriram os seus terrenos de Jacob Brey, que em parceria de Eugenio Doerlitz, lotearam uma faixa de terras, naquele bairro. Jacob Brey e Eugenio Doerlitz haviam adquirido estas terras de Willy Beckert.

Evaldo Liebl testemunha que veio residir no local onde reside atualmente residia apenas Willy Jantsch, e no “morro do Kaminski”, era morador Francisco Gery Kaminski, cartorário de então, e mais aos fundos a família Duffeck. 

O acesso do bairro era pela atual rua Francisco Gery Kaminski seguindo pela rua Frederico Voght, rumo a localidade de Rio dos Bugres. A atual rua São Rafael ainda não era existente, construída mais tarde, por força de Fridel Olsen, que encontrou muitas resistências dos moradores no trecho, logo após a ponte no rio dos Bugres, que por coincidência leva o seu nome.

As terras de Jacob Brey confrontavam, ao norte, com as terras de Paulo Hatschbach, futuro bairro Ceramarte, e de outro lado terras de Francisco Gery Kamienski, entre outros.

Com base nas informações de Luiz Schoeffel, Henrique Liebl e Evaldo Liebl é de se supor que a efetiva povoação do bairro se deu a partir de 1950.

Denominação – Talvez explicação da origem desta denominação encontra-se num requerimento, de 05/10/1903, de autoria de Antonio Martins Ferreira Emygdio, na qual peticiona ao Governo de SC, uma extensa faixa de terras “parte da Fazenda do Rio dos Bugres de São Raphael, que houve por compras feitas ao Coronel Jose Correa de Bittencourt e sua mulher Dona Escolastica Ribas Franco de Bittencourt e ao Capitão Jose Bley e sua mulher Dona Maria Bley”..... (grifo meu).

Nesta Fazenda do Rio dos Bugres de São Raphael, está incluída a localidade de Rio dos Bugres, os atuais bairros São Rafael, Ceramarte, Cruzeiro, e parte do bairro Alegre. Uma das vendedoras desta Fazenda, Escolástica Ribas Franco de Bittencourt, é uma filha do Brigadeiro Manoel de Oliveira Franco, falecido em 1875, que foi o primeiro dono de grande parte das terras da cidade de Rio Negrinho.

Terá sido a denominação Fazenda do Rio dos Bugres de São Raphael para a origem da denominação do bairro São Rafael. Fica aí levantada esta tese, respeitadas futuras explicitações. Onde era a sede desta Fazenda e como foi partilhada, são explicações que futuramente deverão ser encontradas.

Antonio Martins Ferreira Emygdio - Personagem ainda desconhecido de nossa história, trata-se de um paranaense, falecido em 15/10/1905, aos 77 anos de idade, nesta Fazenda do Rio dos Bugres de São Raphael, motivado pela influenza, e foi sepultado no Cemitério do Lençol. Sua esposa Maria Ferreira Santana Emydio, paranaense, faleceu em 25/07/1908, com 69 anos de idade, e foi sepultada também no Cemitério do Lençol.

Na próxima edição vamos continuar a publicação de aspectos da história de nossa terra! Obrigado!

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Entrevista: Julio Ronconi diz que focou os quatro anos em trabalho

Nota do Blog: O Jornal PERFIL MULTI de Rio Negrinho, a quem agradecemos, publicou entre 12 de abril a 18 de maio de 2021, uma série de entrevistas especiais com os ex-prefeitos, em comemoração ao aniversário de Rio Negrinho de 2021. Por ser matérias de interesse histórico de nosso município o Blog Rio Negrinho no Passado apresenta os textos publicados na sua íntegra. Salientamos que o conteúdo da matéria expressa a opinião dos respectivos entrevistados, não refletindo, necessariamente, a opinião do administrador deste Blog.

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Julio Ronconi diz que focou os quatro anos em trabalho

Ele acredita que não foi reeleito porque esqueceu de fazer política

 

18/05/2021


Autor(a): Pricila Pires da Maia


Ex-prefeito Julio Ronconi na sede do Jornal Perfil Multi em 18/05/2021 (Foto: Pricila Pires da Maia)


Seguindo a etapa de entrevistas em homenagem aos 141 anos de Rio Negrinho, com os ex-prefeitos, o entrevistado de hoje é Julio Ronconi, que assumiu a administração em 1º de janeiro de 2017, e deixou o cargo de prefeito em 31 de dezembro de 2020. Durante a entrevista, ele destacou que talvez não tenha sido reeleito porque não fez política durante os quatro anos de mandato, mas se preocupou em apenas trabalhar em prol das pessoas.


Perfil Multi - Como a política entrou na sua vida?

Julio - Isso já vem de sangue. Meu avô, Paulo Beckert, foi prefeito. Meu pai foi candidato a prefeito e vereador e sempre gostei muito da política. Eu acredito que a política é um dos melhores meios de você melhorar a comunidade de uma forma mais rápida. E gostei mais ainda quando fui cabo eleitoral do meu pai. Quando ele foi candidato, eu saía fazer campanha com ele na rua e isso me fez gostar ainda mais da política. Assim, acabei fazendo com que a política entrasse na minha vida. Fui candidato a vereador, candidato a deputado estadual, e quando assumi como deputado, fiz projetos importantes, assim também como quando vereador e tive a honra de ser presidente da Câmara de Vereadores.

A eleição de deputado estadual me projetou bastante. Tive a oportunidade de deputar quatro meses na Assembleia Legislativa, e isso impulsiona a vida da gente, porque vemos que podemos melhorar a vida das pessoas. Quando você realmente se dedica para a política, e se dedica para aquilo que as pessoas confiaram, você acaba tendo um resultado muito grande. Prova disso são as inúmeras obras que aconteceram e que ainda estão acontecendo em Rio Negrinho, fruto do nosso trabalho de buscar verbas. Rio Negrinho, durante o meu mandato, foi uma das cidades que mais conseguiu recursos a nível federal e estadual em relação às cidades. Isso deixa a gente orgulhoso, porque percebe e passa por muitas obras que a gente fez. A política está no sangue e não consegue se desligar dela.

Perfil Multi - Você acredita que ser vereador e deputado fortaleceu ainda mais sua candidatura a prefeito?

Julio - Trabalhamos em uma série de situações, primeiro que para você entrar na política de uma hora para outra, acontece mas é difícil. Você não pode trabalhar na exceção, precisa ser na regra. E eu já vinha fazendo um trabalho frente ao Sindicato dos Servidores Públicos desde 2004, quando fundamos ele, ajudando muitas pessoas. Depois, como vereador, ajudamos a trazer empresas para Rio Negrinho. Conseguimos aprovar doações de terrenos para novas indústrias que geraram e ainda geram impostos para a cidade. 

Como deputado tive a oportunidade de fazer leis e aprovar projetos importantes para várias categorias. Defendemos vários interesses não só da cidade, mas da região, e tudo isso é uma construção para você chegar a se eleger prefeito. Nós tínhamos um grupo bem dedicado na época, uma coligação que favorecia, e, assim, começamos a trabalhar. 

Uma mudança de uma sociedade, você mudar e melhorar uma cidade não é de uma hora para outra, existe um caminho que você deve traçar e por isso nós começamos com o DEL. Quando iniciei meu mandato como prefeito, foi pelo DEL, e isso é um planejamento de 10 a 20 anos, e na política também você deve ter um planejamento para ela, e a eleição de prefeito veio justamente porque construímos este caminho, pelo fato de ter um histórico na família.

Perfil Multi - Como foi assumir a administração pela primeira vez, e quais ações que marcaram sua gestão?

Julio - Foi uma experiência fantástica. Eu sou apaixonado por isso. Meus filhos nunca gostaram tanto de ter o pai com tanto tempo em casa como agora, porque eu realmente me dediquei muito. Eu trabalhava sábado, domingos, feriados, à noite. Muitas pessoas passavam e viam a luz do meu gabinete acesa. Eu estava lá trabalhando, estudando, me dedicando, lendo e organizando o que a gente tinha pela frente. 

Assumir a Prefeitura para mim foi um desafio enorme e uma honra muito grande. Talvez seja este o fato para não ter sido reeleito. Eu não fiz política, eu trabalhei muito, e, na época, minha ideia era trabalhar no escritório de advocacia, levar minha profissão paralelamente com a de prefeito. Pensei isso só na primeira semana. 

Na segunda semana deixei minha profissão de lado e fui me dedicar exclusivamente à Prefeitura. Porque ou você faz uma coisa bem feita, porque não tem como fazer outras coisas juntas. Nós fizemos projetos importantíssimos, ligados a pavimentações de inúmeras ruas. Ruas que estão sendo pavimentadas hoje são da nossa gestão. Muitas que ainda vão ser pavimentadas durante este ano são obras da nossa época, que nós fomos atrás de dinheiro do projeto, nós que licitamos e contratamos. 

Fizemos o asfalto da Rua Luiz Graff, ajudamos a Fundação Hospitalar no primeiro ano com a contratação do Instituto Santé, pagamos o instituto para que desse o início das atividades, isso porque quando assumimos a administração do hospital tinha R$ 5 milhões de dívidas. Hoje tem saldo positivo. 

Fizemos a creche da Quitandinha, uma obra que as pessoas achavam que tinha que demolir, a gente conseguiu deixar ela em funcionamento, reformamos várias escolas e creches, fizemos inúmeras ruas em concreto usinado, uma tecnologia em pavimentação em ruas, trouxemos o antipó muito mais barato. Realizamos muitas cirurgias de cataratas, exames, organizamos a saúde.

Tínhamos médicos nos postos, e na área da educação ampliamos o número de escolas em tempo integral, melhoramos a qualidade de ensino em Rio Negrinho. Isso enche a gente de orgulho. E mesmo com a pandemia não paramos em nenhuma área, não perseguimos ninguém, pelo contrário, ajudamos muita gente. 

Nossa administração foi voltada ao trabalho, à realização e organização da cidade. Uma cidade só vai para frente se tiver planejamento, que é feito por uma equipe.

"Tive a oportunidade de deputar quatro meses na Assembleia Legislativa, e isso impulsiona a vida da gente"

"Nós tínhamos um grupo bem dedicado na época, uma coligação que favorecia, e, assim, começamos a trabalhar"

"Ruas que estão sendo pavimentadas hoje são da nossa gestão"

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Entrevista: Alcides Grohskopf enfrentou enchente durante a administração

Nota do Blog: O Jornal PERFIL MULTI de Rio Negrinho, a quem agradecemos, publicou entre 12 de abril a 18 de maio de 2021, uma série de entrevistas especiais com os ex-prefeitos, em comemoração ao aniversário de Rio Negrinho de 2021. Por ser matérias de interesse histórico de nosso município o Blog Rio Negrinho no Passado apresenta os textos publicados na sua íntegra. Salientamos que o conteúdo da matéria expressa a opinião dos respectivos entrevistados, não refletindo, necessariamente, a opinião do administrador deste Blog.

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Alcides Grohskopf enfrentou enchente durante a administração

Ex-prefeito teve a oportunidade de administrar a cidade por duas vezes

11/05/2021   

Autor(a): Pricila Pires da Maia

Ex-prefeito Alcides Grphskopf na sede do Jornal Perfil Multi em 11/05/2021 (Foto: Pricila Pires da Maia)


Continuando com as entrevistas com os ex-prefeitos, em homenagem aos 141 anos de Rio Negrinho, hoje trazemos a entrevista com Alcides Grohsopf, que por quatro mandatos foi vereador e também exerceu cargo de prefeito de Rio Negrinho por duas vezes. Alcides fala sobre ações, projetos e também da enchente que afetou a cidade em 2014, quando ele era prefeito, e como fez para reerguer a cidade contando com apoio dos empresários, comércio local e toda a equipe de trabalho.

Perfil Multi - Como a política entrou na sua vida?

Alcides - Já há muitos anos eu milito política em Rio Negrinho. Mas no início nem pensava em ser candidato. Lembro que, quando tinha o resultado das eleições, eu ligava o rádio e ficava acompanhando, para entender mais de política. Eu fui conduzido pelas mãos do Doutor Romeu, na época. Eu me lembro quando ele passou um mês indo todas as manhãs me convencendo a sair candidato a vereador. Isso na eleição do Doutor Romeu que foi seu segundo mandato, quando o vice era Antônio Zaleski. Eu ainda não queria participar. Ele acabou me convencendo e, assim, entrei para a política pelas mãos do saudoso Doutor Romeu. Tive meu primeiro mandato de vereador. Gostei de fazer um trabalho pela comunidade. Meu primeiro mandato foi de 1993 a 1996 e aí, entrou o Mauro no circuito em 1996 como candidato. Eu vi como é importante a gente poder fazer alguma coisa. Você como cidadão normal, dentro da sociedade, tem as limitações. Não que o político não tenha, mas dentro da política eu vi possibilidades de ajudar. E eu sempre gostei muito do nosso interior. Eu tinha uma ligação muito forte, grau de parentesco com famílias de interior. Fiquei muito feliz, batalhei muito nestes 20 anos, sendo quatro vezes vereador, sempre com a consciência tranquila e sempre acolhendo as pessoas e correndo atrás, ajudando as pessoas, muitas vezes particularmente.

Perfil Multi - Você foi duas vezes prefeito de Rio Negrinho. Como assumiu a primeira vez?

Alcides - Após estes mandatos de vereador que eu tive, em um deles eu estava na condição de vereador, e estava naqueles processos de cassação, brigas política, até quando Mauro foi prefeito, depois o Almir, havendo momentos difíceis na política. E acabou que o Almir renunciou. Eu estava na Câmara e, claro, o vice-prefeito Abel Schroeder assumiu, mas também afastou-se e houve aquela eleição extemporânea. Se não me falha a memória, 10 ou 11 de março, e aí eu, na condição de vereador, mas tinham outros nomes, e nós começamos rapidamente a trabalhar em um nome, já que o Abel estava prestes a também se afastar. Desta forma, acabou o meu nome sendo apontando como candidato. Nós fizemos aquela campanha de uma semana, de cedo à noite as caminhadas nossas. Começamos a visitar todos os bairros, e nós fizemos isso até no sábado, praticamente no limite do horário das eleições. Participamos da eleição que foi muito acirrada, e vencemos. Assumimos no dia 1º de abril, onde houve depois a nossa posse, e fizemos aquele mandato, logicamente rápido, de apenas 20 meses, e procuramos reestruturar da melhor forma possível. E desta forma continuarmos nossa trajetória na política.

Perfil Multi - Em 2012 você saiu novamente candidato a prefeito, sendo eleito com mais de 15 mil votos. Como foi assumir pela segunda vez em um mandato de quatro anos?

Alcides - Quando chegou em 2012, novamente nas discussões de ano eleitoral, e através de pesquisas, meu nome foi apontado para a eleição. E fomos e vencemos a eleição, assumindo em 1º de janeiro de 2013, tendo um mandato completo. Quando assumimos num primeiro momento, tivemos que reestruturar todas as secretarias da melhor maneira, dando condições para que elas pudessem desenvolver o trabalho. Eu que sempre fui muito ligado ao trabalho de portas, atender à população, não fui um prefeito de ficar dentro do gabinete sentado. Muitas vezes saímos e procuramos atender as pessoas na rua. Ficava na parte da manhã no gabinete, após o almoço estava na rua em algum bairro. Todas as sextas-feiras eu ia para o Distrito de Volta Grande dar atenção e ouvir as pessoas de lá. Uma vez por semana ia em cada secretaria. Visitava a estrutura para tentar fazer com que eles pudessem desenvolver o melhor trabalho. Colocava dentro da administração o cidadão, que ele sempre fosse ouvido, mesmo que não desse para resolver o problema dele, mas sempre ele saía com alguma resposta. A tônica da minha administração foi esta: portas abertas, e nas secretarias também. Procuramos fazer uma grande renovação na frota, porque tínhamos uma frota bastante decadente. Fizemos projetos com uma boa equipe, com funcionários dentro da estrutura. Tínhamos um suporte que era o ex-deputado federal Mauro Mariani. Ele, como tinha sido prefeito, tinha um carinho especial pela cidade. Começamos a trabalhar em 2013 com uma expectativa muito grande, buscando colocar a Prefeitura em ordem. Ao final de 2013, conseguimos todas as liberações das negativas. A expectativa de 2014 era a melhor possível, e aí tivemos a grande surpresa desagradável que foi a enchente. E quando as águas baixaram foi uma verdadeira cena de guerra. Era um momento difícil. A arrecadação estava decrescente. Para adequar o orçamento dentro das necessidades, principalmente a questão saúde, tínhamos muitas limitações financeiras, e como fazer para reconstruir uma cidade que foi devastada? Começamos a ir atrás de parceiros, do estado, e recebemos algumas ajudas. Desta forma, tivemos todo um trabalho de reconstruir Rio Negrinho. Aquilo foi uma situação complicada, mas com uma equipe forte, funcionários ligados, todo nosso empresariado, cada um fez sua parte e nós reconstruímos a cidade da melhor maneira possível. E, em 2015, continuamos as buscas e lutamos por obras importantes, principalmente no interior, onde tivemos problemas com as pontes. Estas foram levadas pelas águas, estradas ruins, mas conseguimos fazer. Além de tudo isso, pudemos fazer muitas coisas na área da educação, saúde e sempre atendemos a população. Fechamos 2016 com uma estrutura boa. Problemas todas as administrações têm. Você tem que fazer um grande malabarismo para atender todas as necessidades da população.

 "Eu vi como é importante a gente poder fazer alguma coisa"

 "Nós fizemos aquela campanha de uma semana, de cedo à noite as caminhadas nossas"

 "E quando as águas baixaram foi uma verdadeira cena de guerra"

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Entrevista: Osni Schroeder diz ter deixado a cidade com 90% do esgoto

Nota do Blog: O Jornal PERFIL MULTI de Rio Negrinho, a quem agradecemos, publicou entre 12 de abril a 18 de maio de 2021 uma série de entrevistas especiais com os ex-prefeitos, em comemoração ao aniversário de Rio Negrinho de 2021. Por ser matérias de interesse histórico de nosso município o Blog Rio Negrinho no Passado apresenta os textos publicados na sua íntegra. Salientamos que o conteúdo da matéria expressa a opinião dos respectivos entrevistados, não refletindo, necessariamente, a opinião do administrador deste Blog.

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Osni Schroeder diz ter deixado a cidade com 90% do esgoto

Ex-prefeito lembra ações realizadas durante os quatro anos na Prefeitura


04/05/2021

Autor(a): Pricila Pires da Maia


Ex-prefeito Osni José Schroeder na sede do Jornal Perfil Multi em 04/05/2021 (Foto: Pricila Pires da Maia)


Continuando com as entrevistas com os ex-prefeitos em homenagem aos 141 anos de Rio Negrinho, hoje trazemos a entrevista com Osni Schroeder, que por dois mandatos foi vereador e após, vencendo as eleições em 2008 para ser prefeito da cidade. Osni comenta que sempre foi ligado à política e que, quando terminou os estudos, voltou para Rio Negrinho porque sempre quis ser prefeito.

Perfil Multi - Como a política entrou na sua vida?

Osni - Eu sempre gostei de envolvimento com a comunidade, com associação de moradores, setor empresarial, escolas e tudo mais. Mas isso já quando fui estudar em Curitiba, ao final da década de 1980. Sempre tinha um desejo muito forte, além de me formar como engenheiro civil. Eu sempre quis voltar para Rio Negrinho e ser prefeito da cidade. Meus colegas de faculdade, todos de Curitiba, inclusive sabiam disso e vieram para cá para minha posse por conta da realização de um sonho. Tive sempre este envolvimento com a Associação Empresarial, com clube de serviço, hoje sou do Lions Clube. Participava sempre de reuniões de associação de moradores e era professor, tanto no Manuel da Nóbrega quanto no Colégio São José. Aos poucos, fui me familiarizando com a possibilidade e, em 2000, fui candidato a vereador e eleito como o terceiro mais votado. Em 2004 já houve a possibilidade de ser candidato a prefeito, mas pelas conjunturas da época fui novamente a vereador. Reeleito em 2004, em 2007 fui presidente da Câmara de vereadores e, assim, consegui adquirir uma grande bagagem e conhecimento, experiência na questão pública e meu nome saiu de forma natural para concorrer a prefeito em 2008, quando fomos vitoriosos nas eleições.

Perfil Multi - Como foi assumir a Prefeitura quando eleito em 2008?

Osni - Nós assumimos a Prefeitura em uma condição bastante precária, porque na época vivenciamos o desemprego. No ano de 2007 e 2008, segundo dados do Caged, nós tínhamos mais de 1.500 vagas perdidas só nestes dois anos. Cada vaga perdida com carteira assinada representa três outras que se perdeu de trabalho informal. Na época, tinha uma quantidade de desempregados, e era um desafio de reverter este quadro econômico de Rio Negrinho. Nosso trabalho foi muito focado para reverter a situação econômica da nossa cidade, que estava em uma crise que se abateu muito forte e nós tínhamos que fazer algo diferente para que a cidade voltasse a ter empregos. O desafio maior nosso foi viabilizar economicamente nossa cidade, enfrentamos um período muito triste de economia de recessão e muitos desempregados. Então, nosso foco primordial foi buscar a diversificação econômica e o fortalecimento de setores econômicos de Rio Negrinho. Ou seja, uma cidade só tem desenvolvimento sólido, firme e próspero quando três setores econômicos funcionam bem, que é a indústria, e esta é diversificada. Nós tínhamos na época muita indústria de móveis, e a tendência era de diversificar essa economia para que não dependêssemos tanto dos móveis. Fizemos isso buscando empresas para Rio Negrinho. Fortalecemos o setor agrícola, criamos a feira da agricultura familiar, para ajudar os produtores, e movimentamos a questão turística, desenvolvendo projetos de turismo para a cidade. E deu certo. Terminamos nosso mandato no saldo positivo de empregos, e muitas indústrias novas na cidade e o Natal Encantado forte.

Perfil Multi - O que você avalia que em sua gestão deixou para a cidade em questão de benefícios para os munícipes?

Osni - A diversificação econômica que nós fizemos e as indústrias diria que foram as nossas maiores obras, trazendo a diversidade para Rio Negrinho, como malharias, setor de fibras, papel, setor de tecnologia, que estão há mais de 10 anos no município, gerando emprego e renda. Sem dúvida, uma das maiores conquistas da nossa gestão, demonstrando que, se hoje não tivéssemos estas empresas com diversificação, poderíamos estar bem menos prósperos como estamos. A segunda grande obra nossa foi fazer com que a população olhasse o setor turístico com outros olhos. Implantamos o Natal Encantando que sempre dizia que era um projeto de desenvolvimento econômico para Rio Negrinho. O Natal Encantado começou aqui junto com a festa em Pomerode. Lá é gigante hoje porque teve continuidade, e aqui o pecado foi não ter continuidade. E, junto a isso, trouxemos a implantação do cicloturismo, que hoje é muito visitado até pelos rio-negrinhenses que aderiram o ciclismo. E a copa do laço, grandes shows, para que as pessoas olhassem e percebessem que era uma fonte de receita para a cidade. E a terceira grande obra nossa foi deixar Rio Negrinho com 90% da rede de esgoto, que na época tínhamos apenas 12%. Nós construímos ela 60% em quatro anos e deixamos R$ 12 milhões no caixa da Prefeitura para concluir ela e atingíssemos 90%. Executamos 60% e viabilizamos até 90% de esgoto implantando em Rio Negrinho. Na área de educação praticamente demos um salto. Fizemos cinco novas escolas, e na saúde construímos três postos de saúde.


Osni frisa que deixou a cidade com 90% do esgoto implantando

"Meus colegas de faculdade, todos de Curitiba, vieram para minha posse por saberem do meu sonho em ser prefeito"

"Nosso maior desafio foi viabilizar economicamente nossa cidade, pois enfrentávamos um período de recessão e desemprego"

"Implantamos o Natal Encantando e sempre disse que era um projeto de desenvolvimento econômico para Rio Negrinho"

sábado, 5 de junho de 2021

PERSONAGENS DE NOSSA HISTÓRIA: QUEM É JOSÉ CAVALHEIRO FILHO, MAIS CONHECIDO COMO JÉCA CAVALHEIRO?

Nota do Blog: Apresentamos um histórico de José Cavalheiro Filho, conhecido entre nós como Jéca Cavalheiro, político, empresário, futebolista e bolonista, com base na entrevista realizada em 16/03/2021 a jornalista Priscila Pires da Maia a ao administrador deste Blog. A entrevista fui publicada no Jornal PERFIL MULTI de Rio Negrinho, no dia 19 de março de 2021.

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José Cavalheiro Filho (Foto: Pricila Pires da Maia)


Origem – Filho de Vitória Vieira de Almeida e de José Cavalheiro de Almeida, José Cavalheiro Filho (Juca), Jéca Cavalheiro como é conhecido por todos, é natural da localidade de Boa Vista, município de Piên-Pr, nascido em 20 de junho de 1942. Tem como irmãos Antonio (Popo), Luiz (Camiseta), Pedro (Pepe) e João (Guito).

Fixou residência em Rio Negrinho, com apenas 30 dias de vida, em 1942, juntamente com sua mãe e os irmãos, onde seu o pai trabalhava na extinta Móveis Cimo e já estava aqui morando no bairro Vila Nova.

Jéca lembra que os seus “pais lutaram muito para nos criar, a vida não era fácil naquela época. Eu e meus irmãos não tivemos a oportunidade de estudar, lembro que quando começamos a ir para a escola, onde morávamos no bairro Vila Nova o grupo escolar estudávamos todos juntos em uma mesma sala. O bairro Vila Nova foi por muitos anos nossa morada. Minha escola da vida foi de grande aprendizado hoje aos 78 anos de idade eu lembro de muitas que passamos para chegar aqui, e por outro lado tive e tenho muitos amigos que me ajudaram na vida. Um fato que lembro com carinho da minha infância foi quando eu e meus irmãos ganhamos um terno de presente para fazer a primeira comunhão. Foi um momento emocionante para nós, e para comemorar o dia ganhamos um delicioso café, eram esses pequenos detalhes que nos deixavam felizes. Eu fiz muita coisa na vida, aprendi muito”.

José Cavalheiro Filho e sua esposa Sueli (Foto: Redes Sociais)


Cavalheiro casou-se aos 20 anos com Norma Kwitschal, já de saudosa memória, com teve 03 filhos. Atualmente é casado com Sueli Bosse, com quem tem 1 filho.

Ipiranga – O Ipiranga entrou na vida do Jeca quando tinha 14 anos, e com 17 anos eu já era titular do time, dado a sua boa “estatura” e “magrelo” fazendo gol, que era o mais importante. O início no futebol foi aos 14 anos, no time da Indústria de Calçados Ruby, onde trabalhou como sapateiro por 3 anos.

Vagemiro Jablonski (Foto: site oficial da Prefeitura de Rio Negrinho)


Meroslau Sava, uniformizado no time do Ipiranga (Foto: acervo de Eugenio Walfrido Liebl - em memória)


Quando ficou desempregado aos 17 anos, foi aí que teve uma grande oportunidade de sua vida, quando Vagemiro Jablonski (Ládio), um fanático ipiranguista, o chamou para trabalhar com ele, no seu escritório contábil. Jéca, relembra que nesta época “ele não sabia nada, mal sabia escrever”. Testemunha que foi lá que aprendeu tudo na minha vida, “foi a maior faculdade que pude ter na vida”. Neste escritório contábil teve como colega e seu “professor” Meroslau Sava. Sava, segundo Jéca, foi o que lhe ensinou tudo no escritório, além de um excelente jogador de futebol do Ipiranga. Lembra Jéca, que o último gol no antigo campo do Ipiranga foi do saudoso Sava.

Imagem dos 3 irmãos Cavalheiro, Popo, Camiseta e Jéca, uniformizados no time do Ipiranga, no antigo estádio do Ipiranga, a atual Rodoviária (Foto: acervo de Eugenio Walfrido Liebl - em memória)

Uma curiosidade que os mais novos não conhecem é que o Campo do Ipiranga nem sempre foi onde ele é hoje, antes mesmo o campo ficava onde hoje é a rodoviária, mas devido ao corte da cidade tivemos que desativar ali, foi então que ele passou a ser no bairro Alegre.

Na foto do time da Sociedade Esportiva Ipiranga de Rio Negrinho campeão citadino de 1966. Uma das curiosidades que se apresenta nesta foto são três irmãos nesta equipe, Luiz Cavalheiro de Almeira (Camiseta), José Cavalheiro Filho (Jeca) e Pedro Cavalheiro de Almeida (Pepe). Nesta imagem vemos da esquerda para a direita, agachados: José Cavalheiro de Almeida (Jeca), Pedro da Silva (Deke), Luiz Cavalheiro de Almeida (Camiseta), Raul Zipperer, Pedro Alves e Jangão (massagista); em pé: Alvino Nossol (Vino), Pedro Cavalheiro de Almeida (Pepe), Henrik Szabunia (Enio), Vitor Buchmann, Antônio, Valmor Bublitz, Juarez Espindola e Binhara. (Foto do acervo de João Luiz da Silva - Jango)


Jogou dos 14 aos 30 anos sempre no time do Ipiranga. Lembra de um dos maiores fatos do tempo que jogou no Ipiranga foi a Copa Miner, sendo esta a última partida de futebol da sua minha vida. Quando a final da copa foi realizada em Corupá, entre Operário X Ipiranga, lembra as pessoas indo para lá de caminhão para assistir ao jogo, parecia que toda a cidade saiu daqui para ir para Corupá. Ele fez dois gols, e com este jogo encerrou a sua carreira dentro do esporte e jogando bola. E segundo o saudoso radialista Sergio Ferreira - Jeca fez mais de 700 gols.

Política – No seu modo de ver, Jéca acredita que foi vencedor na política com os votos frutos do seu trabalho aliado o futebol. Por jogar no Ipiranga na época e trabalhar com o escritório contábil Jablonski as pessoas o conheciam e foi assim que venceu as eleições. Segundo dados levantados, Jéca, esteve ativo na vida política, entre 1966 e 2008, sendo candidato a vereador por 9 eleições, passando pelos legendas ARENA, PDS, PFL E DEM.

Propaganda eleitoral das eleições de 1982, com destaque de José Cavalheiro Filho candidato a vereador

Entrou na política pelas mãos de Euclides Ribeiro (Quito). Participou de momentos políticos importantes como a instalação da comissão de avaliação de novas indústrias de Rio Negrinho, ao início da década de 1970; da criação da Comarca de Rio Negrinho ao final da década de 1970, com as lideranças de Benoni Hermógenes de Oliveira e Otto Dilson Dettmer; e, teve participação efetiva na mudança de partido do prefeito Paulo Beckert do MDB para ARENA, que possibilitou a realização da grande comemoração festiva do centenário de Rio Negrinho, em 1980.

Nesta foto de 01/02/1977, vemos a partir da esq., o então prefeito Paulo Beckert fazendo o seu juramento de posse na Câmara de Vereadores; o 2º, trata-se de Sérgio Ferreira, filho de tradicional família rionegrinhense e então secretário da Câmara de Vereadores; o 3º, trata-se do então vereador José Cavalheiro Filho (Jéca), secretário da sessão solene de posse; o 4º, trata-se do então vereador Affonso G. Froehner, então presidente da sessão solene de posse dos vereadores e do prefeito; e o 5º, trata-se de Aldemir Tavares, então repórter da Rádio Rio Negrinho. (foto do acervo de José Cavalheiro Filho)


Nesta imagem de novembro/1979, vemos a recepção de uma comissão retornando de Florianópolis, portadora da notícia da criação da comarca, seguindo-se após com uma carreata festiva pela cidade. Nesta foto vemos membros desta Comissão, composta pelo então presidente da Câmara de Vereadores José Cavalheiro Filho (2º a esq.), pelo então presidente da ARENA Benoni H. de Oliveira (4º a esq.) e pelo então presidente da ACIRNE Otto Dilson Dettmer (último a direita), sendo cumprimentados pelo Prefeito Paulo Beckert (no centro) e por Marinho Hoenicke (1º a esq.), presidente da Comissão Central do Centenário da Fundação de Rio Negrinho - CENFUR. (Foto do acervo de Ilse Doris Piccinini - em memória)


Aliás esta mudança partidária do prefeito Paulo Beckert foi realizada a pedido do Governador Jorge Konder Bornhausen, ao qual concedeu uma série de pedidos, reivindicações e obras para o município, como criação de comarca, agência do BESC, construção do primeiro ginásio de esportes (Briscão), pontes do Centenário, rio dos bugres e rio corredeiras. Conta-se que o Prefeito Paulo Beckert quando apresentou os pedidos ao Governador Bornhausen ele simplesmente mandou atender a todos.

Na opinião de Jeca, o Prefeito Paulo Beckert, pela sua simplicidade e carisma, na forma de atendimento da cidade e do interior foi o melhor prefeito de Rio Negrinho, até os nossos dias.

Outras lembranças da política – Na primeira vez que foi candidato ficou como suplente mas assumiu logo em seguida no lugar do Professor Marcos Alberto Von Bahten quando ele assumiu uma secretária. Posso dizer que a política fez a grande diferença na minha vida, porque no tempo que os prefeitos eram Álvaro Spitzner, Nivaldo Simões e Paulo Beckert estes sim mudaram a história de Rio Negrinho. E nós como vereadores na época não recebíamos salário, lutamos pela cidade e trazer coisas novas para o crescimento da mesma.

Participação do congresso de vereadores, em 1974, na cidade de Criciúma, onde se vê, a partir da esq. Vereador Alexandre Alfredo Garcia (São Bento do Sul), Vereador Francisco Paulo Kaesemodel (São Bento do Sul), Antonio Carlos Konder Reis (Senador e futuro Governador de SC), Vereador José Cavalheiro Filho (Rio Negrinho), Ivo Silveira (ex-governador de SC), e Arnoldo Harold Harms (São Bento do Sul)

Lembra com carinho de uma grande companheira de bancada que foi a Dona Orita Fernandes do Amaral, que lutou muito com todos nós. Até hoje e mesmo sendo de partido político contrário, a nossa amizade sempre prevaleceu.

Em 2008 foi candidato novamente na gestão do ex-prefeito Osni José Schroeder, não se elegendo, mas pode assumir por 30 dias.

Bolão – Das recordações esportivas, Jéca, guarda boas lembranças e amizades do Clube de Bolão Rio Negrinho, um dos mais tradicionais de nossa cidade, onde participou como esportista durante 15 anos. Lá sagrou-se 4 vezes como Rei, nas disputas anuais.

Jéca coroado como Rei do Clube de Bolão Rio Negrinho, onde se vê a partir da esq. Francisco Ruckl, Herbert Engel (Hépi), Tongui Lindner, Jéca, Otto Dettmer (encoberto), Arnaldo Lampe (Zizi) e Alberto Grutzmacher (Foto: Lucia Grutzmacher – em memória)

Empresário – Dentre as suas experiências de vida, em novembro de 1972, encontra-se a de empresário da indústria no ramo de fabricação de cama turca e sofá, em companhia de outros 3 sócios.

Encontro de confraternização das Lojas Hermes Macedo em Curitiba, em 1977 (Foto: acervo de José Cavalheiro Filho)

Encontro de confraternização das Lojas Hermes Macedo em Curitiba, em 1977, onde aparece José Cavalheiro Filho, Dr. Hermes Macedo e Faustino Casagrande (Foto: acervo de José Cavalheiro Filho)


Agradecimentos – Ao finalizar a entrevista, Jéca destacou que tudo o que fez na vida foi sempre um aprendizado, hoje, aposentado e ao lado da esposa Sueli tem uma vida mais tranquila, agradecendo na ocasião a todas as pessoas que o ajudaram, aos seus amigos e sua família.